terça-feira, março 02, 2021

FILOSOFIA, CIÊNCIA & POLÍTICA

 

No último sábado, 27 de fevereiro, atendi o convite do parceiramigo, José Carlos Calheiros, diretor da Escola de Filosofia, Ciência & Política, para desenvolver uma exposição acerca da temática Filosofia, Ciência & Artes no dia a dia das pessoas. Na ocasião iniciei com apresentação e definição dos termos, partindo por uma abordagem histórica e conceitual acerca das três áreas compreendidas, desde a Antiguidade antes e pós gregos, o advento do cartesianismo e o mecanicismo, o dualismo psicofísico, o holismo de Smuts e a holística contemporânea, a quântica e a teoria da relatividade de Einstein e as teorias consequentes, o papel das artes no desenvolvimento humano, a psicanálise de Freud e Carl Jung, a fenomenologia e a pós-modernidade, as neurociências, a hipernormalização e a estupidologia e as perspectivas humanas diante da pandemia e contexto socioeconômico, confrontando ideias para o dia-a-dia e debatendo a ocorrência dos dias atuais. Foi um encontro proveitoso por ter tido a oportunidade de reiterar as conduções adotadas durante a entrevista que concedi na sexta, dia 26 de fevereiro, ao radialista e advogado Mavio Alves, no programa Falando Sério da Cultura FM.

 



domingo, julho 19, 2020

A POESIA ABSOLUTA DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


 
EU POEMA

Com sílabas almas do imaginário
Ou sintagmas cortes de palavras
Ísis juntou despedaçado corpo de Osíris
Pedaço por pedaço letra por letra
Num sopro moldou-lhe espírito.
Eis a poesia.

DICIONÁRIO ANTICRÍTICO DE ÊMBOLOS E LAMPEJOS – O poema extraído da obra Dicionário anticrítico de êmbolos e lampejos (Criart, 2020), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, traz inicialmente a seção Visitando a poesia VCA com 3 textos que eu fiz, Poesia Vital Absoluta, Bando de Mônadas e Dado Acaso, o prefácio As múltiplas galáxias na poesia de VCA, de Manoel Neto Teixeira, os poemas, a biografia, ensaios/livros sobre o poeta e sobre o organizador do livro, o poeta e professor Admmauro Gommes.


CAMPO POÉTICO

Frias medulas de cães, cansaços brancos
Rostos vermelhos de morangos mofados
Lentas cores de framboesa, quilhas, joelhos
Músculos do tempo, corpo de horas
Anúncios, sombras de monges imóveis
Minerais envenenados, narinas ensolaradas
Enumeração labiríntica esgotada
Abandonou a página, corpo do poema exausto.

PÁLPEBRA DE PEDRA – Poema extraído da obra Pálpebra de pedra (Criarte, 2020), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, trazendo o prefácio Auscultando VCA, de Marcia Maria da Silva, poemas, biografia e a organização do volume, do poeta e professor Admmauro Gommes.


À MULHER (OBRA MAIOR)

À agora da hora oferece
Entre infinito, graça pra deslumbra
Perfumes exceta, colmeia dos seios
Dá a bolas, lábios e falos do mundo dona.
Expondo delta da comunhão
Seu cio corre como cavalos ou nos
Estruímos de volúpia abre fia êxtases, esculpe
A delicadeza do gozo.

ATANOR – Poema extraído da obra Atanor (Criarte, 2020), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, que traz a organização e prefácio, Demiurgo Vital, do poeta e professor Admmauro Gommes, além dos poemas das oito fornalhas que compõem o volume.


SOBRE O TEMPO HUMANO (IMPREVISIVEL?)
[...] Como escritoras (ou leitores, o outro lado da ponte linguística), desafiamos nossa sina literária (desfiamos nossas teias da palavra) sob âmbito ou guante do verbo, que nos cria e do qual somos criadores. [...].

INESPERADAS NÊSPERAS - Trecho extraído da obra Inesperadas nêsperas: a prosa do verso (Criarte, 2020), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, com prefácio e organização, As nêsperas não se esgotam na leitura, de Admmauro Gommes, e as sete nêsperas que tratam sobre poesia ou vasos cegos, cerne da poesia, sequencias linguísticas são rebeldes, linguagem/verdade/realidade, a imagem estranha, votos de solidão e três contos absolutos, afora as considerações absolutas.


INVESTIGAR VITAL
[...] O poeta segue um caminho desenhado nas águas, movediço e suspeito, porque se desmancha ao pestanejar. Cheio de luz, transcende a arte e a si mesmo. fascinante como no autor de Inesperadas Nêsperas a poesia reverbera e sobrevoa o universo controverso de suas palavras. Vem do acaso e o do caso que há entre elas, numa extravagância sem fim.

VATE VITAL – Trecho extraído da segunda edição da obra Vate Vital: aspectos da obra poética de Vital Corrêa de Araújo (Criart, 2020), do poeta e professor Admmauro Gommes, que traz inicialmente uma palavra do vate, a primeira parte compreendendo o Antes, tratando sobre o poeta e o curso de Letras da Famasul, da influência poética, a Biblioteca da Mata Atlântica, Poesia Absoluta Vital, para entender o poeta, a poesia que revela os vazios da existência, a estrutura da obra do poeta, intervalo da pré-teoria da Poesia Absoluta, Pândego Poeta, a lógica na poesia, Pernambuco pensa poesia, lugar do poeta e da poesia, pescaria com o poeta, o Id e o Poeta, tributo, entre outros. Na segunda parte, Depois, demiurgo Vital, os diversos ângulos de uma mesma poesia, a fuga do poema-cárcere, insólita clepsidra, explicações desnecessárias, investigar Vital e as nêsperas não se esgotam na leitura. Veja mais aqui, aqui, & aqui.



domingo, julho 05, 2020

AS TRELAS DO DORO, O BACHAREL DAS CHAPULETADAS!!!!



AS TRELAS DO DORO – Gentamiga, vem aí o ebook com As Trelas do Doro! Aguardem. Enquanto isso, confira alguns episódios desse desastrado personagem e suas presepadas!




FIZ UMA CANÇÃO, LUZ&AR



Hoje é comemorado o dia de nascimento de Freya, a senhora das Valquírias. Na mitologia nórdica, ela é a deusa do amor, sexualidade, beleza, fertilidade, ouro, guerra e morte. É a dona do colar Brísingamen, com seu javali do lado, seu manto de penas de falcão e montando uma carruagem puxada por dois gatos. Ela com seus vários nomes governa a vida após a morte e atua no auxilio da fertilidade e do amor.
Na festa de Freya eu escrevi Plenilúnio e cantei Fonte para ela.
Também é o dia de Iaravi, a filha do fogo, caingang. 
E como todo dia é dia do aniversário dela, no meu coração & tudo daqui é pra ela: Luciah Lopez.

LUZ&AR: LUCIAH LOPEZ




FECAMEPA – VEM AÍ O EBOOK, GENTE!!!!



FECAMEPA – Gentamiga, vem aí o ebook do Fecamepa!!! O que é isso? Ora, a reunião das doidices, mungangas e pantins da Colônia, Império & República de um determinado país picaresco que alguns acham de chamá-lo de todo jeito, mas que no frigir dos ovos, parece mesmo que é um certo Brasil que são muitos e tantos Brasis!!! É o resultado de uma queimada de pestana numa bibliografia extensa e massuda, coisa só de intrometido que não arrumou uma lavagem de roupa melhor para se ocupar. Enquanto a porqueira não sai impresso nem para leitura virtual, dá uma sacada aí na lista de alguns episódios que são tratados no calhamaço desarrazoado!!!




domingo, março 01, 2020

TYLLA2 – ERICK NELSON & TYLLA DE JAHFARI


TYLLA2 – ERICK NELSON & TYLLA DE JAHFARI - A arte da dupla Erick & Tylla reunidos na nomenclatura Tylla2. Ela, Tylla de Jahfari é cantora e apresentadora do programa Show Adventure; e ele, Erick Nelson, é compositor e guitarrista. Eles já lançaram o álbum Babilônia na Lona (2018) e ganharam o 2º lugar no Arte do Solo – Festival da Canção, promovido pela Fundação de Hermilo Borba Filho. O programa Show Adventure vai ao ar todos os sábados, a partir das 12:30hs, pela LigTV. Veja mais aqui.



segunda-feira, fevereiro 24, 2020

BLOG DA TEREZA LIMA



TEREZA CRISTINA DE LIMA – Blog da professora, oficineira de teatro & blogueira Tereza Cristina de Lima, criado em 2018, com o objetivo de evidenciar notícias, entretenimento, política, esporte, teatro, dança, música e artesanato para os leitores. Ela é ativista cultural e participa da Tenda da Cidadania.



A POESIA DE MARCOS PALMARES



ZONA DA MATA SUL

Existe um belo esplendor
na zona da mata sul;
Seu verde não muda a cor,
e o céu é límpido e azul.
Seguindo por uma trilha,

os rios correm pro mar;
E no dever da cartilha
toda manhã chove lá.
Têm córregos entre matas,
sapoti, manga e ingá;
têm cachoeiras e cascatas,
fauna e flora pra mirar.
Tem cheiro da cana de açúcar
que aguça o desejo que tenho,
e não deixa a vontade caduca
pra chupar cana do engenho.
E entre as riquezas naturais
têm um povo hospitaleiro;
e tem crendices nos anais,
a "terra dos altos coqueiros."

TAPERA DO PAJEÚ

Minha tapera no Pajeú
tem cuminheira e sacada,
tem porteira na entrada
e a cerca de mandacaru.
O rio que passa por lá

nasce na serra da balança
e ali deságua esperança
pra minha vida melhorar.
E às margens do Pajeú
posso colher alegria;
com o milho, feijão, melancia,
e mandioca para o beiju.
Também tenho no Pajeú
uma boa cabra leiteira,
jegue pra carregar feira,
galinha, pato e peru.
E os meus finais de semana
tem muita festa ao terreiro
porque o vizinho, Zé Romeiro,
puxa o fole em sua sanfona.
No meu sertão do Pajeú,
eu tenho o melhor retrato
com o sol se pondo à recato
ao doce canto do lambu.

VOLVER AL PASADO

Ojos cerrados por la vida.
Miré al pasado
y él estaba allí, cuando me fui,
y sin pelear me encontré en pantalones cortos,
sin arrugas y sin madurez.
También vi en la penumbra fría

como en una cinta de video de la vida,
algunas personas que me dejaron
sin imaginar que sufriría
de tal anhelo y nostalgia.
Las oportunidades perdidas estaban ahí
y formó una gran fila,
la hilera de leche derramada.
y en el sueño de la terca inocencia,
Estaba feliz de visitar mi pasado.
Vi pasar las horas
y me miraba a mí mismo
tan sin aliento como feliz;
muy humano, traicionado por errores,
queriendo mi flor de lirio.
Y cuando abro los ojos húmedos,
Contemplé mi cara en el espejo
en un viaje de regreso al presente
donde siempre he ido
con pensamiento y pie en el pasado.

EU USO...

Às vezes meio intruso
vou chegando de vagar
e no meu trejeito de falar,
eu uso____
E se eu olho, difuso,

mesmo sem assiduidade,
mas se bate uma vontade,
eu uso____
E esquecendo o abuso
entre as quatro paredes
mas havendo o poço e a sede,
eu uso____
Considerando o desuso
com a minha cumplicidade
e cambaleando na idade,
eu uso____
E me fervendo o sangue luso,
dentro ou fora de hora,
mas se o meu desejo aflora,
eu uso____

O DIABO CHEGA NA QUINTA

Seu diabo tem a voz melosa,
e têm na aparência, boa-pinta;
sua palavra é demais mentirosa
e geralmente chega na quinta.
Na quarta, eu coloco uma farda,

já sabendo seu jogo e finta;
mas, sutil ele dribla a vanguarda,
e geralmente chega na quinta.
Ele é o senhor da cilada,
disso, não há quem desminta;
vestindo "Prada" é piada,
e geralmente chega na quinta.
Vem pra roubar, matar e destruir,
separar as pessoas na trinca;
usa a aparência para confundir,
e geralmente chega na quinta.
Mete medo como o trovão,
e merece uma surra de cinta;
onde ele for terá confusão
e geralmente chega na quinta.

TRÊS AVE MARIAS

Salve as Marias, cheias de raça,
na luta diária, senhoras do lar,
e sendo mui fortes
nos solos do norte,
qual virgem Maria,
exemplo nos dá.
Salve mamãe, cheia de massa,

naquela cozinha para preparar
um cuscuz de mandioca
e a melhor tapioca,
e qual virgem Maria,
o exemplo me dá.
Salve vovó, cheia de pirraça,
com língua afiada,
mulher faladeira,
e sua cuspideira
viiixe Maria,
inapropriada.

RENASCE ZUMBI

Renasce Zumbi,
em qualquer coração valente
quando a causa é justa
e a garra se pinta de luta
ignorando senzala e corrente.
Renasce Zumbi,

onde há coração guerreiro,
e o quilombo for uma razão
que renove toda a afirmação
que esteve no sangue negreiro.
Renasce Zumbi,
em qualquer tempo da história
onde houver causa inerente
e açoites de corpo e de mente
conclamarem por uma vitória.
Renasce Zumbi,
no apátrida que ufana o direito
de cantar a canção da felicidade
ao pisar em um chão, liberdade,
com Palmares pulsando ao peito.

NO PALCO DO AMOR

No palco do amor,
eu deixei um coração de pedra,
e vi rasgadas minhas vestes,
quando lá deitei minhas preces
pra não mais ser um sofredor.
No palco do amor,
do meu rosto uma máscara caiu,
e mais alvo que a neve fiquei
porque ali o passado eu deixei
onde o amor sempre cura a dor.
No palco do amor,
vi nascer a minha liberdade,
e por alto preço, comprado,
eu me senti um filho amado
onde o amor se entregou por amor.

MINHA HISTÓRIA DE AMOR

Na minha história de amor
fui violão afinado,
às vezes, desentonado,
com o braço em tantos braços
pra no amor ser tocado.
Na minha história de amor
tem cheiro de flor e capim,
onde a paixão foi estopim,
que sob o céu do interior,
ateou fogo em mim.
Na minha história de amor
há versos de belos sonhos
onde num céu de esperança
o renovar da aliança
ficou nos rostos risonhos.
Na minha história de amor
as páginas que estão em branco,
foi quando o amor andou manco
nos labirintos da solidão
em risco, tranco e barranco.
Na minha história de amor
o caminho é a mesma estrada
se mui doce é a caminhada
com a leveza da abelha na flor
onde o amor seja a flor desejada.

MUNDO BIBLIOTECA

Eu tinha tempo pra tudo
brincava de ximbra e peteca,
mas levava a sério o escudo,
e meu mundo era a biblioteca.
E no caminho a prosseguir,
eu sonhava me vendo na beca
e corria até a praça Maurity,
onde o mundo era a biblioteca.
E debruçado à uma das mesas
eu bebia de Ascenso a Lá Greca,
e viajava por tantas riquezas
no meu mundo da biblioteca.
Hoje meu cabedal de cultura
vem desse mundo sem carboreto
onde a esperança foi boa leitura
na biblioteca Fenelon Barreto.
E agora me bate a saudade
e em gratidão eu devolvo ternura
a esse mundo que ainda invade
todo sonho que o horizonte fulgura.

RECIFE E O GALO

Quero voltar, Recife,
e numa emoção aloprada,
pular o teu frevo de rua
e na paixão que em mim continua,
ver o gigante galo da madrugada.
Quero voltar, Recife,
e a saudade já está atravessada
a me levar, inda que seja, pelo braço,
e na folia me perder no embaraço
pulando atrás do galo da madrugada.
Quero voltar, Recife,
e o coração já está em disparada
para seguir seu rumo e conselho
atravessando a ponte Duarte Coelho
pra ficar perto do galo da madrugada.
Quero voltar, Recife,
terra minha, pátria amada,
e num possível bloco do ainda
quero rever os bonecos de Olinda
sem esquecer o galo da madrugada.

CLIENTE MATUTO

Né qui chegou um cliente,
mei amuado e suado,
desses cumpade que eu tenho
falano alto e sem dente,
e vindo lá dos engenhos
dispusitar um dinheirinho na caxa
prá dispôs querê o rendo?
E o home falou cuspindo:
"bote no nome da muié
pro quê eu não me assino
mai meu nome é Mané,
filho de Zé Sivirino,
e moro em Santa Fé
com dez filho e a mulé."
Eu pedi seus documentos
e comecei logo fazendo...
mas ao dar explicamento
que o nosso rendimento
só dava pouco por cento,
Me desculpe seu gerente
mas o home foice corredo.

A FÁBULA DO MORIÁ

Um dia, logo bem cedo,
um ofertante com fé, e segredo,
enfrenta, à contra-gosto,
um desafio estampado no rosto
indo ao monte com três ferramentas;
a lenha, o fogo e o cutelo
no lombo de uma pobre jumenta.
E as três ferramentas de trabalho
não podendo expressar o desgosto
foram levadas ao monte Moriá
na forçada intenção de ajudar
o abençoado a quebrar o seu galho.
A encarregado das ferramentas
era a pobre e inocente jumenta,
que procurou num jeito bem ogro
fazer tudo e não entrar no jogo;
Assim manqueja pisando na penha
levando o fogo, o cutelo e a lenha;
Mas a primeira ferramenta, o fogo,
sentiu bem perto de si o malogro
quando viu afiado o cutelo,
e de vermelho, ficou amarelo,
bem distante do feixe de lenha.
De repente, uma mudança de plano,
no holocausto esclarece o engano,
e no lugar do rapaz, um cordeiro
tipificando o amor primeiro,
e sendo ali o melhor aditício,
foi providência para o sacrifício
que chegou bem na hora e ligeiro
e pro ofertante, salvar o herdeiro.
Então aquelas três ferramentas
agradeceram a amiga jumenta
pela façanha do seu artifício.
E por fim, a jumenta falou:
-em mim não cabe a honra e louvor,
se eu apenas fui uma ferramenta
que nessa vida nasci pra jumenta;
mas lá do céu desceu o amor
que fez prostrar meu dono, senhor
que neste monte provou seu agir
para meu fardo não mais existir!
E no despontar de um sol amarelo,
burro, adorador, rapaz e o cutelo
voltaram felizes para casa,
deixando a lenha no fogo em brasa.

O FREVO

Quando eu olho as passistas,
me dá aquela vontade
na minha flor da idade;
e, por fim, não me atrevo
correr risco no compasso
de dar uns passos no frevo.
O colorido das sombrinhas
faz-se encanto ao meu bloco
do estandarte em foco,
e no amor em relevo
o meu coração salteia
só de ouvir tocar o frevo.
E eu me pego pulando
enquanto estou assistindo
um Pernambuco mui lindo,
e tão logo eu escrevo,
que o melhor carnaval
é no compasso do frevo.
Os bois do maracatu
trazendo de Olinda o segredo
ao batuque é belo enredo,
levando-me ao enlevo
dessa cultura porreta
que me faz mamulengo no frevo.

AVENTURAS DO NITO

Eu conheci um rapaz,
cabeludo, esbelto e bonito;
ele ajudava no cartório do pai
e tinha o apelido de Nito.
Sempre elétrico e apressado,
pois no sangue, arte corria;
e ao lembrar, vou ao passado,
sorrindo e tendo alegria.
É que em meio a caminhada
quando Ele fazia mandado
aprontou uma patuscada
com a tia do cartório ao lado.
Ela o pedia para comprar
água de coco, bolacha e pão,
coca cola e guaraná,
todo dia essa missão.
Mas o Nito era palhaço,
e não gostando desse favor
trouxe o pão debaixo do braço
pro pão ficar com odor.
E a tia vendo o desfeito
passou logo a murmurar
e assim mudando o conceito
não pediu mais pra comprar.
Era o que o Nito queria,
contou Vinícius e Mercês;
depois disso eu sofreria
por ser a bola da vez.

MARCOS PALMARES – Reunião dos poemas do escritor Marcos Palmares.