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sábado, julho 23, 2022

PROSEANDO COM A CULTURA, DO POETA PICAPAU

 

 

PREFÁCIO

 

Luiz Alberto Machado

 

Lá pelo início dos anos 1970, conheci aquele que vinha gambeta de venta empinada pela Rua Nova, carregando baldes atrás de lavagem pra porcos. De casa em casa gritava: Tem lavagem? De dentro vinha resposta, positiva ou negativa e, dependendo disso, ele se ria ou saia maldizendo tudo. Era, então, Zé Pelintra e não arriava na beca, acertava os ponteiros prumode o quê?: Escavaquei na moringa do meu quengo / um parafuso que estava fora do lugar / encontrei um baú cheio de rimas / com poemas e poesias a aflorar / de repente peguei minha viola / acertei os ponteiros da razão / deleitei-me na harmonia da canção / e expulsei estes versos da cachola. Isso prova que mesmo parecendo um chato arengueiro, era cabra, no fundo, gente boa, só que se amostrava como a peste. Era os tempos de estudante do Ginásio Municipal, das estripulias licenciosas e maloqueiragens adolescentes. Pois bem, tempo vai, tempo vem, a gente se danou na buraqueira do mundo e, uma década depois, se reencontra: pinga, meiota, cajá, caju, seriguela, bunda de tanajura e lavando tudo com cerveja, pilhéria, versejada e uma viola de 12 cordas Del Vecchio no meio da camaradagem. Diz ele que eu afanei o instrumento desencordoado; não foi, na verdade. Queria mesmo dar umas cipoadas boas no instrumento pra ver se aprendia direito. Não deu, nunca passei de poetastro, mas graças a ela, um dia depois de uma tocada boa, lá ia eu desprevenido pela rua e um cão que parecia um leão e nem tanto, me atacou e nela me protegi. Resultado: do medo e quase cagado, o ataque torou o braço da viola no meio que até hoje está num canto da casa de um consertador amigo. Por conta disso, a gente manga um do outro até hoje: eu das minhas besteiras de bestão tapado sem competência no métier; ele, da sabedoria, não perde uma, desaforo que seja, na ponta da língua arrelia de cima sem arriar no badalo no Como é que pode?: Às vezes fico pensando / com o juıź o balançando / lá e cá feito gangorra / como é que uma cobra / sem ter os pés se desdobra / e corre que só a porra! Eu que sempre fui um poeta de água doce, nunca acompanhei os motejos poéticos dele, pois o sujeito é dos bons no Caboclo do Nordeste: O matuto caboclo do Nordeste / que se orgulha em ser um nordestino / é um forte guerreiro no destino / é um bravo arigó cabra da peste / sendo ele do sertão ou do agreste / defende as raıź es até a morte / cultua com amor a natureza / ama a cultura com grandeza / permitindo que a arte lhe transporte... De tão metido, vez em quando, no meio das pinoias e trocas de ofensas, ele sapecava no pau da minha venta O rapé de Marisa: Tabaco bom arretado / com cheirinho de canela / cada pitada um espirro / chega doer as costelas / tem venda em grosso e varejo / dependendo do desejo / que tem sua clientela / mais digo com toda franqueza / que é mesmo uma beleza / o cheiro do tabaco dela. Jogava mais na minha lata, nunca teve papas na língua. Pra você ter uma ideia, o sujeito não cabe em si de tão folgado, não deixando qualquer loa sem os respectivos breques: Cinco coisas que me irritam / e vem me encabulando / é uma fila de banco / um polı́tico discursando / uma mulher barraqueira / uma torneira pingando / e o peste do carro do ovo / na minha porta gritando. Feito pinto no lixo em qualquer faustoso repasto, o enxerido solta uma lapa de língua e saçarica ineivado: Rosinha de Mané Fulô / uma caboca formosa / bunita feito a lua / da face da cor de rosa / um corpinho violão / é mermo uma tentação / essa caboca mimosa... E para mais me humilhar, arruma a gola no vinco e a fivela nos quartos, enche o pulmão com afinco e se amostra todo ancho cheio do Tataritaritatá: A poesia matuta / é um prato especial / gostoso de degustar, / alimentando a alma / deixando a mente calma / e o coração a amar / um amor feito em cordel / que o mundo tira o chapéu / vendo um poeta versar! Não para por aı́, afina o gogó e pisa forte no caqueado: É um ato varonil / resgatar nossa cultura / espalhar para o Brasil / a rica literatura / pelas redes sociais / e na TV os canais / divulgando os menestréis / é treze com doze / é onze com dez / é nove com oito / é sete com seis / cinco e quatro / mais um mais dois / e mais três / se olhassem com amor / teriam bem mais valor / o cantador de vocês. Pois bem, esse alagoano de Passo de Camaragibe chegou menino em Palmares, fincou os pés no chão proseando todo exaltado: Vem um final de semana / três amigos e um bar / pingas, cervejas e a embriaguez / uma discussão, uma briga / e tá no chão o freguês / chega a cana e ver-se três amigos / um morto, outro preso e um fugitivo / e lá se foi mais um final de semana. Com o tempo, como um bom embeiçador da tirana, tornou-se técnico em produção de açúcar e álcool e, também, em logística e gestão de pessoas. Graduou-se em Teologia para ampliar seu arcabouço intelectual: afinal, pro cabra ser bom tem que entender de tudo, até das coisas do outro mundo que ele se diz doutor. Publicou uns livros. Destes, eu tenho um livro e um cd: Feitos d'versos (Outras Palavras, 1995) e Umas & outras. O restante deles, não sei se por pirangagem da sua mão de figa, nem eu tenho, nem na biblioteca ou na Academia onde ele ocupa uma das cadeiras de imortal, podem ser encontrados: Sussurros da mata (Bagaço, 1986), Num rio de poesias (Universitária, 1987), Despertar no rincão, Matutando na literatura e Prosa de terreiro. S'assunte, meu véio, faça isso não. Reapareceu com a obra Nordestino sim senhor (JC, 2018), muito bom. Agora ele vem de Proseando com a cultura: [...] nunca arrematei um mote / pra não ver a bagaceira / também não faço heresia / faço o que a mente cria / pois ela é de primeira / e sem insistir na natura / vou a mesma admirando / e a vida vou levando / proseando com a cultura. Só tenho agora uma coisa a dizer: esse é dos bons, afianço (quem sou eu? Ah, um bicho cheio de nó pelas costas e bestão metido às pregas), pois esse José Maria Sales, o poetamigo Pica Pau, é daqueles que começa no palavreado e a gente não quer mais parar. Manda ver, poeta! Confira no livro é o melhor que você pode fazer e veja se digo a verdade ou não. Vamos sempre juntos!

 

INSPIRAÇÃO DE UM POETA

 

Peguei carona no cangote da saudade

Entrei no túnel das lembranças do passado

Folheei num livro do arquivo morto

Li um poema pelo o tempo empoeirado

Ultrapassei as fronteiras do horizonte

do além veio informações de monte

Pra me sentir um poeta inspirado

 

ESTUDA MENINO

 

O que seria do mundo

e como ele seria

sem a carta do A B C

ciência, geometria

português e outras mais

matérias a se aprender,

que rumo tomava a nação

e onde iria chegar,

onde nós ıá mos parar

sem a nossa educação.

 

FALEI Tá FALADO

 

Quando falo que tá certo

também digo tá errado,

quando falo é habitado

também digo é deserto,

quando falo que é perto

também digo é no in_inito,

quando falo é bonito

também digo é avessado,

quando falo tá falado

e quando digo tá dito.

 

ME PERGUNTARAM:

 

Pica Pau se come?

Respondi:

Nem cru e nem cozinhado

Porquê a carne é dura

o nervo é entranhado,

seu sangue é venenoso

mata não deixa recado,

mas se você quiser tentar

com jeito da pra chupar

a cabeça do danado.

 

ACERTANDO OS PONTEIROS

 

Escavaquei na muringa do meu quengo

um parafuso que estava fora do lugar

encontrei um baú cheio de rimas

com poemas e poesias a a_lorar

de repente peguei minha viola

acertei os ponteiros da razão

deleitei-me na harmonia da canção

e expulsei estes versos da cachola.

 


PROSEANDO COM A CULTURA – Lançado recentemente a obra “Proseando com a cultura” (CriaArte, 2022), do poeta Picapau – José Maria Sales, que é Técnico em Produção de Açúcar e Álcool e em Logística e Gestão de Pessoas, graduado em Teologia, e membro da Academia Palmarense de Letras (APLE). É autor dos livros Feitos d'versos (Outras Palavras, 1995); Sussurros da mata (Bagaço, 1986), Num rio de poesias (Universitária, 1987) e Nordestino sim senhor (JC, 2018). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



terça-feira, agosto 21, 2018

PALETRAS & OFICINAS


PALETRAS & OFICINAS – Palestras e oficinas realizadas por Luiz Alberto Machado.

LITERATURA: MODERNIDADE & PÓS-MODERNIDADE
I

A LITERATURA DE HERMILO BORBA FILHO
I

NEUROEDUCAÇÃO
I

EDUCAÇÃO, CIDADANIA & MEIO AMBIENTE: O DIREITO DE VIVER & DEIXAR VIVER
I
V

BRINCAR PARA APRENDER
I

FAÇA SEU TCC SEM TRAUMAS
(METODOLOGIA CIENTÍFICA)
I

OFICINA CORDEL
I

OUTROS EVENTOS
I


segunda-feira, abril 30, 2018

A LITERATURA DE JOSÉ ARLINDO GOMES DE SÁ


PRELÚDIO EM BREVE EMBALADA ARMORIAL

- O dia é limpo quando o astro incandescente
Alumia o passo da gente
Que vai cedo pro roçado.
Cantando as mágoas no roteiro da estiagem
Sem faltar com a coragem
No aço quente do machado.
- E nas veredas acende as cores fortes do Pajeú
Mata a sede com imbu
E a fome com bode e farinha.
Termina a jornada no aboio triste da tarde
Que na goela seca arde
Como se tivesse espinha.
- A cantiga reacende e mais tarde continua
Quando à noite chega a lua
No compasso da serenata.
Abrem as janelas com os acordes das fantasias
E só encerram as cantorias
Quando a aurora desata.
- E o tempo escorre na cadência do meu rio
O ano passa o desafio
De mais uma dor consumida.
Se quer saber venha na seca com o sol vivo
Talvez assim fique cativo
Da embalada dessa vida.

CANÇÃO DO AMOR DITOSO DO RIO DO PAJÉ

Tudo que amamos
No rio do reino quente
Tem o sopro do vento norte
Que bafeja as vertentes pedregosas
Da cosmogônica Serra do Arapuá
E roça de leve os rostos lanhados pelo tempo.
Tudo que temos
No espaço incandescente do Sertão
É a estrela variável e companheira aquecendo
Com a esperança, o amor e a fé
Corpos trançados por centelhas ocres
Que não se desalentam com o chão por despertar.
Em tudo sentimos
O gosto adusto da terra terrosa.
No rio dos poços alumiados pelos sonhos
O sentimento telúrico de encantação
Amanhece nas veredas ribeirinhas do Pajeú
E anoitece na paz do luar que banha as calçadas.
(Poemas extraídos  da obra Águas do Pajeú: poema dos pejeuzeiros – Recife, 2002)


UMA HISTÓRIA DE AMOR SERTANEJO

[...] Quando o vaqueiro Cristóvão montado no pedrês estancou o cavalo na beira do rio, seriam talvez cinco e meia da tarde. [...] Ergueu a cabeça, apurou a vista e no horizonte próximo à sua esquerda o sol já tinha se escondido e o deixara o clarão avermelhado iluminando o que restava do dia. Cristóvão herdara muito do temperamento do pai, o vaqueiro Amâncio. Da mãe, Mariazinha, apenas a mansidão, que só se manifestava em raros dias chuvosos. Era um desses homens destemidos que enfrentam desafios para retirar o mel ou o primeiro suco, mesmo que o resto do fruto fosse riqueza ou utilidade para muitos. No seu jeitão simples, direto e decidido tinha palavras breves e bem colocadas. Contava histórias curtas, todas verdadeiras, que lhe aconteciam e que sempre deixavam algum ensinamento de vida de homem livre que levava e para quem parava para ouvi-lo nas conversas das barracas de feira que gostava de frequentar. [...]. Marilena era uma moça com pouca iniciativa, mas se dedicava a qualquer tarefa com entusiasmo juvenil quando uma de suas amigas tomava a liderança de algum movimento social. Foi assim que se revelou excelente bordadeira, mesmo sem nunca ter mostrado qualquer pendor, quando sua prima Lucivânia pediu para ajuda-la na confecção do enxoval de casamento e do primeiro filho. Resolvia todas as coisas na hora, sem pestanejar e depois das serenatas que lhe dedicavam os rapazes da cidade, costumava afirmar que acordava sempre com a impressão que tivera naquela noite uma aventura heroica, sendo ela um objeto de desejo em meio a uma disputa, uma epopeia. O amor é um jogo de muitas forças, que lhe requeria muito equilíbrio para controlar as emoções muito fortes que giravam em torno dela. Nunca se conhece a razão de um amor. [...] E uma notícia estava espalhada nas ruas, nas esquinas, nos bares e, sobretudo, no ambiente carregado de tensão da casa de Marilena: - O vaqueiro Cristóvão roubou a filha do coronel! A velha dona Iaiá, que já entrara em muito tempo pela casa dos sessenta, desmaiou com todo o peso do seu corpanzil no cimento liso da sala de visitas da casa assobrada ao ler o bilhete de despedida deixado pela filha do meio (dias depois, corria o boato que a moça tinha perdido a virgindade; e que diante do caráter antiquado e intransigente dos pais, não tivera outra alternativa a não ser aquela fuga). O coronel Clodomiro não resistiu ao impacto da vergonha: caiu ali mesmo e morreu fulminado por um colapso cardíaco. Dona Iaiá, que fraturou os ossos do braço e coxa direitos, viveu o resto dos seus dias na sua cama imperial e faleceu dois anos depois numa tarde chuvosa de relâmpagos e trovões. Cristóvão e Marilena ganharam o mundo. Anos depois, veio a notícia do Pará. Não se sabe o motivo pelo qual dos dois não tiveram filhos. O vaqueiro morreu numa discussão com um sócio, pelo controle de uma área de garimpagem em um daqueles rios quase inacessíveis da Amazônia. A donzela enlouqueceu e terminou escravizada no bordel mantido pelo assassino. [...].
(Extraído da obra As viagens do Pajeú: crônica de um rio – Vanguarda, 1997).


MINHA TERRA, MINHA GENTE, MEU BARRO

Descendo da linhagem de um rio poético, cosmogônico e pelejado com boiadeiros. A família tia um recanto consagrado na esquina universal dos encontros, por onde o rio jorrava incumbências. Em sua serenidade navieira e pajeuense, minha mãe cuidava de embalar na rede abridora do amanhecer os sonhos dos filhos do Pajeú e do Navio. As origens de água e de lua já estavam seduzidas nas areias do reino abrasado. Refolhado nas grotas dos riachos, cresci entre a gente humilde e as veredas que levam ao âmago da terra. Por gosto de pisar descalço, apreciava permanecer alumiado ao relento dos ipês e mulungus e ouvir a sanfoninha dos canoeiros na travessia do chão ribeirinho. E aquelas permanências amontoando folhas, que se transformavam no borralho dos caminhos da serra do Arapuá, fascinando ideias nas letras da escola, cedo descobri que todas as palavras seguiam os passos do coração do rio, fluíam entre os riacho de mel e viajavam nas asas das aves de arribação. [...] A terra, minha gente, meu barro, o canoeiro à espera das trovoadas, as pedras do rio refletindo o sol, a rede que range no torno de imburana, a luz amarelo-ocre do carrascal, a paz melancólica da tarde que se esvai e a noite tépida da serenata! Ah, belos amores sem fim e sem meios entre os poços e o sol, refeitos pela aurora do Pajeú! Areias de minha vida ribeira, os olhos ainda cheios de verde da momentânea lembrança das águas barrentas, neste desertão todo recortado de ais. Canção solene, lúcida, dorida... Por que sinto minha voz embargada? Canoeiro, atravessemos o rio de águas mornas como um sinal de ardente sina e conduzi-me agora, onde gira a flor do vagaroso desejo, da silenciosa saudade entre as dores que nos estremecem! Ó peso da vida, dai-me a voz do coração na grande estiagem dos velhos dias terrenos, antes de morrer na solidão das veredas pajeuenses! Mas no desconcerto das coisas inacabadas, já comecei a cantar as natências das terras florestanas para robustecer os seus encantos. [...];
Extraído da obra Andanças do Pajeú: poesia e prosa (Coqueiro, 2014).


A MULHER NO CAMPO

[...] Ela nasceu aqui mesmo, por trás da aba da serra, em um sítio cheio de fruteiras, de uma família simples. [...] Com um sorriso que não se apaga – nunca a vi sem aquele sorriso – ela explica que ainda tem muito o que aprender com a natureza, mas que seu segredo, aquilo que a impulsiona é a vontade de viver a cada instante, sem pensar no que passou ou no que virá, basta o agora. – É só vivendo o presente que podemos amar os outros! Essa descoberta foi feita nos primeiros anos em que o Frei Damião vinha fazer sua romaria, quando ela percebeu que “tudo é amor de Deus, mesmo as dificuldades”. [...] – Nunca tive dificuldade com meus pais, minha família, em casa ou no trabalho da roça. Mas procurando amar cada um como gostaria de ser amada. A primeira experiência que tive nesse sentido foi no sitio do vizinho, que vivia a viuvez de quase dez anos. Ao chegar, vi toda casa suja. Não era minha tarefa limpá-la, mas fiz por amor. E senti uma grande paz. Depois desse episódio, seguiram-se muitos outros, pequenos gestos que a fizeram descobrir, aos poucos, uma nova maneira de viver, que a deixava sempre mais encantada com o dom da vida. [...].
(Extraído da obra O sorpo do vento da aba da serra – Coqueiro, 2009).


O POETA SE APRESENTA

Nasci no Reino Abrasado
Bem no meio do Estado
Que fica daquele lado
Onde se cultiva o imbu
Minha terra tem cultura
De reza e de benzedura
Gente bonita, gente pura
Que ama o rio Pajeú.

GEMIDOS DA TERRA

É quando a seca aumenta
Que o sertanejo enfrenta
Sua criação sedenta
Comendo até mandacaru
A situação é muito triste
Que a gente sofre e assiste
O boiadeiro que resiste
À falta d’água do Pajeú.

O CANTADOR

É firme, forte, inteira
Na varanda, na praça na feira
Essa voz tão brasileira
Sertaneja assim como o beiju
Constrói belas emoções
Distribuindo as ilusões
Para reforçar os corações
Com as cordas do Pajeú.
(Poemas extraídos do cordel O rio e a cidade – Cadernos Pajeuenses I – Coqueiro, s/d)


CANTORIA EM CHAMAMENTO

Prestem atenção, que o pano vai ser aberto!
Venham todos, venham logo para mais perto!
Vamos decantar a vida desse Reino Abrasado,
Sonhos de lume e paz, deserto de amor sagrado!
Chamem o sol e os odores do seu nascimento!
Deixai-o que repouse nos braços do sentimento!
Um rio forrado com frutos para sonhar!
E um candeeiro aceso que me possa acordar!
Um riacho de encantos que a gente quer ter
E braços longos nas roças que nos façam crescer.
E assim desvelar os olhos, encontrar a vida
E amar com o amor de areias incandescidas!
(Poema extraído da obra Recital do Serão do Rio Pajeú e do Riacho do Navio –Universitária, 2002).


A PELEJA DE JOÃO MÃOZINHA E BIU DO PIFE

João Mãozinha:
Cumpade Biu do Pife
Meu foguete é medonho
O pife soa bonito
Do fogo, porém faço sonho

Biu do Pife:
Eu sempre vivo risonho
Com meu pife encantado
E seu foguete clareia
Meu som pelo arruado

João Mâozinha:
Se não tive soltado
Minhas lágrimas no céu
Ninguém lhe daria aceno
Com a aba do chapéu

Biu do Pife
Eu sei que seu fogaréu
Ilumina o céu do Pajeú
Mas o pife afinado
Tem o canto do uirapuru

[...]

João Mãozinha:
Feio é não reconhecer
Que em toda festa
Meu trabalho é bonito
E nenhuma dúvida resta

Biu do Pife:
Os tamarindos de Floresta
Se enfeitaram de alegria
Do empate dessa peleja
Voltaremos noutro dia
(Extraído do cordel A peleja de João Mãozinha e Biu do Pife – Cadernos Pajeuenses II - Coqueiro, s/d.)


JOSÉ ARLINDO GOMES DE SÁ – José Arlindo Gomes de Sá é médico, poeta, contista e cordelista, membro titular da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES – PE), e autor de diversas obras. Veja mais aqui.



sábado, maio 31, 2014

TODO DIA É DIA DO MEIO AMBIENTE



TODO DIA É DIA DO MEIO AMBIENTE – Como pra gente o Dia do Meio Ambiente não se restringe apenas ao dia das comemorações usuais, defendemos que todo dia seja dia da gente cultivar a vida e, por consequência, cuidar do meio ambiente.



A DATA - O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972 marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano. Celebrado anualmente desde então no dia 5 de Junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente cataliza a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental. Os principais objetivos das comemorações são: mostrar o lado humano das questões ambientais; capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável; promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais; e advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero.
Reunimos nesta publicação as nossas atividades:







 

 

NITOLINO E O MEIO AMBIENTE
I
II

 

quinta-feira, janeiro 23, 2014

MATUTO NA INTERNET COCO DE MÁCLEIM



INTERNET CÔCO DE MÁCLEIM - Uma música que aprecio de nunca enjoar é a Internet Côco, do meu amigo músico alagoano Mácleim.
Não sei quando essa música foi lançada, só sei que quando ouvi pela primeira vez virei fã. Aliás, muitas das músicas desse grande artista eu gostei de chapa: tudo de primeira.
Acontece que especificamente essa música foi pivô de um vexame que passei anos atrás, lá pelo início dos anos 2000, por aí.
Estava eu meio lá meio cá dos birinaites pelas bandas no Rio de Janeiro, especificamente na Rua do Ouvidor, quando uma reboculosa linda deu de mexer lá da lonjura com o meu sismógrafo. Veio arrasando quarteirão de me deixar boquiaberto e paralisado. Mas tímido que se preze fica tão abestalhado que quando não faz nada, só faz merda. Fui virando umas e outras para chamar a atenção da danada, mais ganhava sua indiferença, até ela findar feito aquela do grande Luiz Gonzaga: - A danada nem fé d´eu deu!
Aí foi que todo estropiado, fiquei recolhido num canto e rabisquei (já atualizando os dizeres para os dias de agora).

MATUTO NA RUA DO OUVIDOR

Luiz Alberto Machado

E era dela o balanço na lonjura
E com ternura lá eu vi naquela hora
Ela tão linda, ah que é minha Senhora!
Era tão linda, a mais linda criatura.

Alinhei a fivela na cintura
e vi que é essa que eu vou namorador
eu vou glosar de maior embolador
verso de rima, melhor fita da moldura

Ela vinha remexendo na candura
a falar de um troço Facebook
como eu não tinha lá aquele look
eu tava ali como vivo na procura.

Avancei com o vinco na postura
e parti ali de vez pro tudo ou nada
ela vivia com o bico tão danada
sem dar conta que eu tava na mesura.

Não era nada o que eu tinha de estatura
reduzido por ela a sem valor
amargava a gastura do acorçôo
na mais grave e infeliz da desventura.

Se eu me tinha por um rei, imperador
fui destronado por maior do paspalhão
fui rebocado que perdeu o seu cambão
e por senão esbarrei no inquisidor:

- Oh meu deus, onde é que eu estou?
Feito sujeito que não tem menor noção
recebi assim na lata a informação:
- Aqui o Rio, na rua do Ouvidor.

PS: Dias depois, ainda na minha estada no Rio, eis que por razões inexplicáveis fui apresentado à dita cuja que se tornou uma grande amiga. E depois de devidamente apresentada, contaram-na a minha história dos versos, fato que a fez rir demais de tão incrédula. Claro que isso deu muita manga pras nossas risadagens. Infelizmente, já de anos que não a vejo, perdemos contato. Agora, mais de 10 anos depois de tudo é que trago a público, culpa dos meus amigos Jan Cláudio & Eduardo Proffa que me peitaram numa empreitada. Não fosse a proposta deles, esses versos estariam enterrados no esquecimento.

Veja mais Mácleim.