sexta-feira, março 08, 2013

DESEJO




DESEJO – A minha música “Desejo” nasceu de sopetão. Foi assim mesmo: teibei.

Tudo começou um dia quando a namorada me ligou de manhã com um convite para o almoço. Estava eu, na época, como redator geral de uma emissora de rádio, carregado de trabalho até as pestanas. Coisa de louco. Toda manhã era correria da grande, iniciada pelas 4 da madrugada e só se concluía por volta do meio dia, quando eu entrava no ar para apresentar outro programa jornalístico. Era uma barra ter que preparar um jornal com uma crônica diária que ia pro ar às 7 em ponto, elaborar notícias para serem veiculadas de meia em meia hora, até fechar o programa noticioso de meio dia. Estafante, porém, tarefa deliciosa demais.

Foi exatamente no meio dessa loucura, que recebi a intimação com hora e local marcados e, não tendo escapatória, aceitei. Afinal, era uma convocação irrecorrível.

Lá, por volta das 13 horas, eu cheguei todo avexado, como sempre. O suor correndo da tampa aos fundos aumentava mais o meu vexame. Entretanto, era hora de relaxar da labuta diária e tomar ciência da razão do convite.

Foi quando de forma inexorável e com cara de poucos amigos, a namorada tascou:

- Sabe que dia é hoje, Luiz Alberto Machado?

Ih! Pelo soletrado do meu nome completo, sabia que coisa boa não viria para minha banda.

- Sei -, respondi.

- Então, me diga que dia é hoje?

- Sexta-feira!

- Sexta-feira de que mês?

- Sexta-feira, 18 de abril de mil novecentos e…. -, soltei sem nem saber direito mesmo que ano era (acho que foi de 86, 87 ou 88, por aí, um desse).

- Certo. E o que isso representa, Luiz Alberto Machado? -, cada vez que ela dizia meu nome de forma repuxada, enfática e detalhada, mais eu percebia que o mar não estava para peixe.

- Hum?!?

- Isso mesmo, senhor Luiz Alberto Machado. O que representa o dia de hoje?

Gente, eu vasculhei todos os arquivos do cérebro e só me vieram à memória as comemorações do Dia de Monteiro Lobato e, por causa disso, o Dia Nacional do Livro Infantil, também Dia do Amigo, aniversário de morte de Einstein e… (era me lembrando e gaguejando em voz alta, e ela só sim, sim, sim…. e que mais?).

Vixe, que aperto! Que mais? Será que esqueci algo importante? Danada dessa minha ignorância, sempre passando batido em tudo. Ô memoriazinha essa para me deixar sempre na mão.

- Que mais? -, indaguei com a cara mais atarantada de quem perdeu o bonde do mundo e com a sensação mais cínica de que estava passando em branco por algo que não deveria jamais farrapar.

- Sim, isso mesmo, senhor Luiz Alberto Machado.

- Peraí -, pedi arrego e fiquei matutando enquanto tapiava com pedido de cerveja.

- Hum…. deixa ver, 18 de abril, é… e…. -, rebuscava até dos registros acásicos para minha salvação naquele momento cilada e ingerindo ligeiramente a cerveja. Que saia-justa! E me arrependi de ter aceitado o convite na hora.

- Pois é, senhor Luiz Alberto Machado. Já que não se lembra, vou refrescar sua cabecinha tola: hoje é meu aniversário. E agora vou deixá-lo num mato sem cachorro: cadê meu presente?

Minha nossa! E agora? Procurei terra no chão, não encontrei. Procurei um buraco para me socar e nada. Danou-se! Como sair dessa, hem? Não deu outra. Com o riso mais amarelado impossível, peitei:

- Surpresa! O seu presente está na mala do carro! Queria mesmo ver a sua carinha de invocada! Peraí, deixa eu tomar uns goles que já vou trazer o seu presente.

Fiz o que pude para empurrar com a barriga a situação.

O que eu tinha para dar de presente? Nada.

Sair correndo para comprar àquela hora só confirmaria que eu esqueci bonitinho da data.

Não podia.

Tinha que sair do aperto de qualquer jeito e tome gole e as catracas do quengo fumaçando.

Gente, que viela!

Pensei comigo: agora tô fudido mesmo. E tome gole de cerveja e blá blá blá.

- Luiz Alberto Machado não enrole, cadê meu presente?

As idéias davam nó no juízo quando arrisquei:

- Vou buscar, dois minutos só.

Virei o copo, saí do restaurante sem saber o que fazer enquanto ela me acompanhava com o olhar aos mínimos movimentos.

Abri a mala do carro e só tinha uns papéis, dois gravadores e o violão.

Ih! E agora?

Fiquei remexendo na mala do carro como que estivesse procurando algo.

De vez em quando eu voltava o olhar para ver a situação e ela lá vigilante, inexorável.

Fiz uma procura demorada mexendo nas coisas, remexia tudo, revirava, mãos na cabeça, coração saindo pela boca, garganta seca, a terra rodando, a coisa ficando feia, quando resolvi pegar um calhamaço de papel, um dos gravadores e o violão.

Voltei atrapalhado, papel voando, gravador se espatifando no chão me fazendo voltar para pegar outro providente gravador, apanhei o rebentado e segui pra mesa.

Quando me sentei, ela cruzou os braços e fez a cara mais reprovadora do mundo.

Ora botava as mãos nos quartos com ar nada açucareiro, ora se fechava com a mão no queixo, sobrancelhas cerradas e olhar interrogativo de quem vai mandar ver numa sentença pra lá de condentória.

Ah essa minha mania de estar sempre pulando aperto. Sempre assim. Contudo, não dei o braço a torcer e comecei a dedilhar o violão dizendo:

- Olha só, o seu presente está pronto, só que não decorei ainda. Vou ver se me lembro detalhadamente. É assim….

E fiquei enrolando versos criados na hora, cantarolando uma melodia que não existia e fazendo e refazendo tudo, sempre dizendo que havia lembrado, eita, já esqueci, ah, lembrei de novo, sim, é isso e assim foi.

Ao cabo de meia hora mais ou menos de peitica e peleja, eu disse:

- É isso, seu presente é esse:



Quero ficar no seu coração
E assim poder sonhar
Toda aventura que pintar da emoção
Todo fervura que brotar da sua mão
Para iluminar a reticência que aprumou a minha vida
E um dia ser feliz e nada mais

Quero ficar no seu coração
E assim me agasalhar
Do frio impune que semeia a solidão
E feito imune repetir a sensação
Que vai para lua na volúpia mais fervida
E um dia ser feliz e nada mais

E quando o jeito de você virar absoluta adoração
Será o véu perfeito e a ternura abraçará minha ilusão
Quero o meu destino a confundir-se com o seu
E sermos um, o que a sina prometeu
E o que sobrar de nós será um ninho verdadeiro
E um dia ser feliz e nada mais

Gente, verdade! Do jeito que fiz, ficou. Enrolei tanto que a música ficou prontinha com a letra e tudo.

Ufa!

Como estava em processo de criação não deu para acompanhar as feições que ela deve ter exposto na maior das desconfianças. Só sei que ao terminar de cantá-la todinha (devidamente registrada no gravador para não perdê-la e nem confiar na memória), eu abri os olhos e flagrei um lindo sorriso dela.

- É pra mim? -, perguntou-me com o jeito de menina angelical e com as faces risonhas de quem ganha um presente daqueles sonhados e que muito gostou.

- Sim, pra você. É sua.

- Não acredito!

- Verdade. Vou copiar a letra agorinha aqui para que você guarde como o meu presente pro seu aniversário.

E copiei a letra numa folha, coloquei a data e assinei. Pronto, estava dado o presente.

Passaram-se os anos, o namoro se foi, mas a música ficou.

Incorporei a letra nos meus livros publicados “Paixão Legendária”, de 1991, e na antologia “Primeira Reunião”, de 1992. E eu sempre cantarolei a canção nas minhas modestas apresentações musicais, em recitais, saraus, lançamentos e por aí, até o dia, muito tempo depois, em que Derinha Rocha pegou uma câmara e me filmou cantando a dita canção.

A minha performance não estava lá grande coisa, mas gostei e aceitei a indicação de abrir uma página no YouTube.

Por causa disso a coisa pegou e com poucos dias tinha mais 2 mil visitas.

Fiquei, claro, maravilhado com isso.

Por causa disso, em 2007 (ou foi 2008?), a Sônia Mello me liga e diz que quer gravar essa e outras músicas minhas. Sonia Mello? Exatamente a cantora que nos anos 70 e 80 gravou uma penca de long-playngs só com músicas de Roberto & Erasmo Carlos. Eu mesmo já havia me apaixonado por ela só por causa da capa de um dos discos em que ela está encostada num SP2 (lembram? Era o carro dos meus sonhos adolescentes!). Oxe! Então, um pedido desses a gente não nega, né? Fiquei mais assanhado que pinto no lixo. E todo atabalhoado fiz atender seu pedido. Peguei o violão, gravei do jeito que saiu, passei pro computador e enviei duas: “Desejo” e “Aurora/Minha Voz”. Fiquei com o coração na mão. A expectativa, nossa! Um abismo de espera.



Quando ela falou comigo pedindo as músicas, ela me disse que era para integrar um projeto de um cd que ela estava gravando sob o título de “Destino” e que, entre outras músicas, uma delas era uma feita pela respeitável dupla Roberto & Erasmo exclusivamente para ela. Ora, estar ao lado dos compositores mais aclamados pela população brasileira, não era coisa para se relevar, não acha? E apois, foi. Quando dei por nada na vida, recebo um mail e uma ligação dela.

- Luiz, dá uma olhada e me diz se Desejo ficou ao seu gosto.

Como é? Abri a caixa de mail e lá estava. Ouvi, ouvi, reouvi e não me contive. Estava bem demais com o arranjo que o Guga Mendonça fez. Nossa, dessa vez o presentação era meu. E o melhor ainda estava por vir. É que ao invés de “Destino”, ela nomeou seu disco “Desejo”, ou seja, a minha música se tornava o carro-chefe do seu projeto. E Roberto & Erasmo? Claro, não só inseriu a música deles, como também a minha “Aurora/Minha voz”. Nossa, uma festa!

Em 2008, mais de 20 anos depois da criação da música, me encontro com a Sônia Mello e ela me entrega o cd em mãos. Fiquei tão abestalhado que falei pelos cotovelos, a ponto de me esquecer uma coisa importante: de agradecer. Pois, foi. Veja que sujeito mais melepeiro sou eu. Esqueci do aniversário da musa, esqueci de agradecer também a intérprete. Coisa de ingrato brabo.

Quando é em 2010, “Desejo” me proporciona mais um momento de alegria: foi premiada com o primeiro lugar no FEMI 2010 (Festival da Música Independente), promovido pelo Projeto Sociocultural Vozes do Meu Brasil e do Clube Sua Arte na Rede, que reuniu no Japão mais de 600 composições do planeta, peneiradas para 60 avaliações, resultando em 20 escolhidas. Eita! Realmente foi. Fiquei todo ancho, chega me senti maior que o meu próprio tamanho (desce, desgraçado!). Só me resta uma coisa: a minha gratidão pela interpretação e iniciativa da Sônia Mello.Também do flagrante para criação dos clipes (primeiro, o meu solo; depois, a homenagem à Mônica Belucci com a canção na voz de Sônia) feitos pela saudosa Derinha Rocha. E mais ainda agora quando a querida Memei Correa realiza mais uma expressão de sua arte, primeiro com a interpretação de Sônia Mello e, em seguida, com a minha apresentação no show Crônica de amor por ela, em 2011, ao me presentear com mais esses clipes para essa canção.



Se sou merecedor ou não, não importa, o fato é que essa canção tem sido agraciada pela simpatia de pessoas tão especiais para mim, o que já é o suficiente para me fazer feliz além do mérito. Nada mais justo, então, demonstrar para vocês que fizeram dessa canção o meu grande prêmio, por isso, o meu muito obrigado eterno.

PS: Publicado originalmente no dia 13/08/2010 no Tudo Global e todos os registros da canção no BlogAgenda.

MAZINHO, O JUCIMAR DAS CANÇÕES DE ENTREGA, COBIÇA E MUITO MAIS




MAZINHO, O JUCIMAR DAS CANÇÕES DE ENTREGA, COBIÇA E MUITO MAIS



Mazinho é uma daquelas pessoas que a gente gosta de graça. De cara, a gente sabe logo se tratar de um sangue-bom, sujeito probo, duma integridade e retidão sem mácula, do bem tipo daquele a quem a gente pode dizer de olho fechado que é o cara.

Conheci Mazinho na nossa terrinha pernambucana. Trabalhamos juntos até, formalmente, na adolescência, no cartório. Depois disso, ele sumiu.

Eis que anos depois ele aparece quando promovi a IV Feira de Música lá em Palmares, não lembro se em 1976 ou 77, por aí, onde ele arrebatou o primeiro lugar com a música “Guerreiro”, de sua autoria e contando só com o acompanhamento do Lulika dos Palmares. Foi sucesso de público logo nas eliminatórias e enfeitiçou o júri. Todo mundo tiete dele. Não deu outra, né? Emplacou o primeiro lugar na preferência de quem ouvisse a música. Tanto que dava uma canja com apresentações relâmpagos na noite da cidade. Depois, sumiu de novo.

Vez por outra a gente se encontrava, ocasião em que mostrou uma canção sua “Nova era”, lindíssima. E depois um compacto duplo que ele gravou quando esteve no sul do país. E tome sumiço.

Anos se passaram e, de quando em vez, a gente se encontrava de forma intermitente até o dia que o Zé Ripe abriu um bar na esquina do Colégio Diocesano e a gente dava as caras por lá. Foi nesse período que Mazinho colocou letra na minha música “Molhado de sonhar” (que eu nem lembro mais como é e acho que ele muito menos) e que depois, por força dessa primeira parceria, ele colocou música em três poemas meus: “Entrega*”, “Cobiça” e “Cilada”. E só não saiu mais músicas porque tanto ele como eu somos farrapeiros de marca maior. A gente só consegue se ver esporadicamente, não adianta marcar, dois trastes de fujões. Mais música sairia se a gente tivesse mais tempo de se ver. Mas ele - assevero com toda a palavra de sujeito que não merece o menor crédito -, é pior do que eu nas farrapadas e nos bolos. Pelo menos, às vezes eu vou, às vezes não. Chego atrasado ou enrolo e fiz que fui e terminei nem indo. Ele é pior, não vai mesmo. Isso não quer dizer que ele seja irresponsável, não, irresponsável mesmo sou eu. Ele é um cara direito e cumpridor que honra todos os seus compromissos. Se ele disser uma coisa, pode escrever e pode ter certeza que dará certo. Comigo não, comigo tem que ter trocentas testemunhas e a exigência mesmo de papel lavrado em cartório perigando eu inadimplir de qualquer forma, apesar da formalidade. Tanto que, para me redimir sempre repito uma coisa: o que digo, não se escreve; o que escrevo, ninguém apaga. Quer sentença mais chula para um sujeito pau-torto que nem eu? Mas vamos nessa, vamos falar de Mazinho e não de mim.

Pois bem, entre as sumidas e aparecidas, Mazinho me surpreendeu e apareceu com o cd “Sutilmente”, lançado em 2003 e só agora eu tomo conhecimento (graças à presteza dele em entregar ao Rolandry Silvério – o tal do Doro – três meses depois de lançado e o outro relaxado passar mais três meses para me entregar aqui em casa, pode? Coisas da gente da minha laia mesmo esse tal de Rolandry).

O cd traz músicas de sua autoria, incluindo a minha parceria com ele na “Entrega” e mais “Nós” e “Imprevisível” com o poeta Henrique Arruda (que falei de um livro dele lindíssimo chamado “Do Una ao mar”, no Varejo Sortido)  e uma outra, a “Despertar” com um certo Henrique Costa que nunca ouvi nem falar.

O que posso assegurar é que o disco é bom e já começa quente com uma música chamada “Coração da Guerra”, onde Mazinho assina: “No coração da guerra tem sangue virando água, tem risos virando mágoa, tem filhos deixando dores e gritos jogados fora”. Belíssima, só ouvindo para se ter uma idéia de verdade.


Ah! Mas tem uma faixa que é um verdadeiro primor: “Querer sonhar”, tanto letra como música são lindíssimas e ambas são do próprio Mazinho. Mas para saber o tamanho disso, só ouvindo e passando pelas 15 faixas do cd.

Enquanto mato vocês de inveja ouvindo o cd de frente pra trás e de trás pra frente, convido a conhecerem a nossa parceria nos clipes que trago aqui. E também um aviso: vem cd novo do Mazinho por aí, aguardem! Por certo, não se arrependerão. Eu mesmo sou fã do trabalho dele. E digo mais: quando aparecer uma coisa com a rubrica Mazinho eu assino embaixo e em branco se for necessário. Confiram e vejam se não digo a verdade. 

PS: Publicada originalmente em 19 de janeiro de 2004, no Usina de Letras, revisto e atualizado.





PRIMEIRO ADENDO: ENTREGA – Como eu disse anteriormente, a minha parceria com Mazinho foi “Molhado de sonhar”, uma música que fiz e ele letrou. Infelizmente não lembro, tenho gravada nalguma fita escondida nos lugares mais recônditos da minha casa. Logo em seguida fizemos Entrega, música dele sobre um poema meu, que foi inicialmente gravada pela dupla Cikó Macedo & Zé Linaldo, no disco deles Edição Extraordinária. Depois foi gravada pelo próprio Mazinho no seu álbum sutilmente, com a participação de Zé Linaldo. Depois eu inseri a canção no meu show Tataritaritatá.


COBIÇA – Essa foi a nossa segunda parceria, Cobiça. Uma linda música dele sobre um poema meu. Essa ele canta divinamente, mas nunca gravou. Então inseri essa linda canção no meu show Crônica de amor por ela.


QUERÊNCIA – A nossa terceira parceria foi Cilada, música dele sobre letra minha. Estou tentando recuperar essa música catando fitas e pretendo cantá-la na próxima edição do meu show Crônica de amor por ela. Enquanto isso, agora em 2013 a gente emplacou nova parceria, Querência que foi inserida no seu álbum deste ano.


PS2: Atualizado em 28 de dezembro de 2013.

Veja mais do talento de Mazinho aqui. E nas Crônicas Palmarenses.




quinta-feira, março 07, 2013

TODO DIA É DIA DA MULHER: PROFESSORA SILVÂNIA MAIA DUTRA




SILVÂNIA MAIA DUTRA – A sagitariana Silvânia é professora de Educação Infantil, cursou Magistério na Escola Estadual Dr. Eloy Werner, em 1988, graduou-se em pedagogia e fez especialização em Inspeção Escolar pela Faculdade de Direito e Ciencias Sociais do Leste de Minas – FADILESTE, em 1996, atuando hoje como vice-diretora Escola Estadual Ana Mendes Pereira Dutra, onde possui extensão de carga horária na função de professor de Sociologia e Filosofia para o Ensino Médio; além de coordenar o PEAS JUVENTUDE/2009 - Programa Educacional Afetivo-Sexual de atenção ao jovem.

Ela tem experiência na alfabetização e Educação Infantil em creche e, também no ensino de Artes. Possui capacitações em diversos cursos para disciplinas do Ensino Fundamental e Educação Ambiental, participando ativamente de cursos de capacitação, oficinas pedagógicas, seminários, simpósios e congressos.

Tem interesse pessoal e profissional pela área de Educação, pela diversidade cultural e de fazer amizades. Ela concedeu uma entrevista pra gente, confira.



LAM - Sil, quando se deu e qual a razão da sua definição pela pedagogia?

Em 1992 lecionava em uma turma do 3° Ano do Ensino Fundamental classificada como turma “D”. Grande parte dos alunos não sabia ler e escrever tinha baixa auto-estima, não gostavam de estudar e não viam nenhum atrativo para que pudessem permanecer dentro de uma sala de aula. Então vi na Pedagogia uma luz para que eu pudesse conhecer novas metodologias e técnicas educativas e aplicá-las no trabalho docente.



LAM - Você milita na área pedagógica, o que a fez tomar esta opção?

O fato de acreditar que é possível transformar positivamente a história da Educação atual no Brasil, dando dignidade e não apenas criando um piso salarial ridículo como este que tem sido alvo do marketing Nacional da Educação. Resgatar a dignidade do profissional dando condições dignas de trabalho.



LAM - Ao longo desses anos, como professora, quais experiências positivas você pode registrar?

Uma das maiores experiências e talvez um dos grandes desafios, têm sido a inclusão, trabalhar com as diferenças individuais e principalmente com a questão de gênero, orientação sexual e cultura.
Sou apaixonada pelo ser humano e vejo que a escola pode fazer muito por ele, desde que se desprenda de alguns conceitos e práticas educativas que não condizem com a realidade.



LAM - Como você vê atualmente a atuação do professor com os novos paradigmas que norteiam a prática pedagógica? Essa mudança contra a educação "bancária" tradicional para uma pratica dialógica funciona? Ou é apenas lenha para queimar em debates intelectuais?

Estamos vivendo tempos de mudanças rápidas e complexas na sociedade globalizada, que repercutem na vida cotidiana de todos. Esses processos de transformações pelos quais passam o mundo geram conflitos em toda sociedade. Portanto a escola deve ser um espaço aberto para o diálogo de forma que o aluno tenha visão de si e do outro.



LAM - Como você desenvolve a sua relação com seus alunos? E como você vê essa relação atualmente?

Tendo sempre como o principal ponto de partida o diálogo, o respeito mútuo, a ética e a segurança ao ministrar os conteúdos.
Vejo como aspecto fundamental em qualquer sociedade, por maior que seja.



LAM - A seu ver a escola cumpre o seu papel? Há condições de se promover a educação na realidade atual da escola pública?

Para que a escola cumpra com o seu papel é necessário que haja ainda muitas mudanças em seu currículo, nos programas, materiais didáticos e até mesmo na estrutura física e arquitetônica.
É difícil promover a Educação nestas condições atuais, porém não podemos cruzar os braços, nós professores devemos estar atentos as informações disponibilizadas dentro e fora da escola e criar espaço de discussão e crítica a respeito da realidade atual, problematizar, questionar e criticar tais situações.



LAM - Qual a sua opinião acerca da LDB 9394/96? A prática pedagógica, a seu ver, realmente pode, conforme a previsão constitucional que deu base para a LDB vigente, proporcionar o pleno desempenho da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho?

A prática pedagógica baseada em uma ação reflexiva contribui e muito para a formação da pessoa, desde que fundamentada em ações significativas e não em uma Educação Competitiva.
O exercício da cidadania é ainda mais difícil, não aprendemos a lidar com a “Democracia” e por isto vivemos a mercê de uma política imunda, onde o capitalismo impera a todo custo e a esmola é vista como “caridade”.
Não concordo que seja função da Escola preparar o jovem para o trabalho, como educar os jovens para uma sociedade futura cuja natureza desconhecemos em detalhes, mas que certamente será diferente, em muitos aspectos fundamentais, do passado e do presente?
A Educação deve ensinar o jovem como pensar, prepará-lo para o seu futuro e não para o nosso passado, não apenas vivenciar fatos históricos e científicos como tem feito até o presente momento, porém analisá-los, criticá-los.

LAM - Qual a sua opinião acerca da prática pedagógica voltada para a dignidade humana e exercício da cidadania pautada nos Termas Transversais? É uma realidade ou conversa pra boi dormir?

São temas importantes e urgentes, que devem ser tratados e que muitas vezes são deixados de lado pela complexidade do assunto.

LAM – Como você vê a inclusão? Quais as experiências que você teve no tocante à questão pedagógica inclusiva?

Só existe a inclusão porque houve a exclusão.
Uma das maiores experiências da inclusão não foi exatamente com alunos, foi o fato de me casar com um paraplégico, isto facilitou a compreensão que eu tenho respeito deste assunto.
Quem está impossibilitado de ter um filho com deficiência, ou mesmo se tornar um deficiente? Ou ainda ter um esposo/ esposa que de repente por acidente ou uma moléstia grave se torne um deficiente?
Sinto-me uma pessoa sensível ao ponto de enxergar apenas o lado bom da inclusão, fico a imaginar o que seria de Maria e João (nomes fictícios) se não estivessem incluídos na escola regular. Maria é surda e João tem síndrome de Down. Maria eu acompanho de perto há 3 anos, hoje faz leitura labial, brinca com as demais crianças que sabem da sua deficiência e estão também aprendendo a lidar com ela. João está cursando o 8° ano do Ensino Fundamental, me lembro quando iniciou seus estudos há oito anos, quantos avanços percebe-se nele, uma criança que não sabia cuidar do seu próprio corpo, hoje se sente seguro para ir a escola sozinho, aprendeu atravessar a rua, recebe e segue instruções e está iniciando a leitura e escrita das palavras. Participa dos eventos escolares, aprendeu a conviver com as demais crianças e o mais lindo de tudo isto, as crianças ditas “normais”, aprenderam a lidar com estas diferenças que não anulam o ser humano, apenas o torna diferente.



LAM - Há esperança para os profissionais da educação e alunos no Brasil? A seu ver o que deveria ser feito para que se tenha uma educação eficiente e eficaz no Brasil?

Há esperança quando buscamos sentido na vida. Portanto, onde há vida, há também esperança.
Para que tenhamos uma educação eficiente e eficaz, precisamos valorizar mais a criatividade do que propriamente a eficiência.

LAM - Quais os projetos que pretende ou tem por perspectivas realizar?

Pretendo me tornar intérprete de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais); fazer um mestrado na área da Educação; e elaborar com os jovens da nossa escola 3 mini-projetos no mês de abril e executá-los a partir 2° semestre englobando o tema: Afetividade e Sexualidade: Prazer em viver.


IVALDA SILVESTRE DA SILVA




IVALDA SILVESTRE DA SILVA – A professora Ivalda Silvestre da Silva, é pedagoga formada pela Universidade Estadual de Pernambuco – UPE e se dedica à sua profissão desde que se formou.

Ela nasceu em Garanhuns, no Estado de Pernambuco, onde estudou, se formou e se casou com o radialista Marcos Paes.

Mudou-se para Maceió há 5 anos onde passou a trabalhar no Sesc Jaraguá.

Adora a comida alagoana, principalmente o sururu. Também a simplicidade do povo alagoano. Afora isso, adora vermelho, se farta em degustar uma manga e ficar contemplando os rios.

Esta a professora Ivalda Silvestre. Aqui a nossa homenagem. Muito Obrigado.



Veja mais a CAMPANHA TODO DIA É DIA DA MULHER


CAMPANHA TODO DIA É DIA DA MULHER: EDIANE SOUSA




EDIANE SOUSA – A capixaba de 34 anos, Ediane Sousa, é formada em Secretariado e está se formando em Serviço Social pela Faculdade Salesiana de Vitória, Espírito Santo. Ela é coordenadora do Departamento de Infância do Grupo Espírita de Trabalho Cristão (GETC) de Cariaiacica-ES, e compõe a equipe Anga Produções Audiovisuais. Conversando com a gente, ela falou de sua cidade, suas expectativas e perspectivas.



LAM - Ediene, você nasceu em Venda Nova do Imigrante. Passa pra gente suas impressões sobre a cidade.

Venda Nova do Imigrante é uma cidadezinha deliciosa, com um clima de montanhas que fascina, sua gente pacata, os imigrantes que na sua maioria são italianos dão a cidade aquele ar de união e companheirismo, de fazer junto.
Venda Nova para mim é a cidade mais aconchegante do Espírito Santo.

LAM - O que você poderia destacar da sua raiz capixaba?

O capixaba é muito dinâmico, tem jogo de cintura diante das situações. Sabe fazer parte sem ser invasivo.



LAM - Quais as influências da infância e da adolescência mais marcaram para a formação de sua identidade?

Eu venho de uma família muito pobre, meus pais se casaram muito jovens, mamãe com 15 e papai com 16 anos, meu pai órfão de pai e mãe e mamãe orfã de pai. Não tinham com quem contar e formaram uma família.
Cozinhavam em latinhas de óleo e na maioria das vezes nosso almoço e jantar eram canjiquinha com taioba, criaram 4 filhos com dignidade, trabalhando muito para que não passássemos fome, minha infância foi dura, comecei a trabalhar com 6 anos de idade, com essa idade eu já capinava lavoura.
A minha adolescência não foi muito diferente, trabalhei de babá, domestica.
Fui assediada por patrões e consegui vencer com dignidade. Coisas que aprendi com meus pais.
Hoje posso dizer que tudo que passei me fizeram valorizar detalhes, observar coisas e buscar sempre valorizar o mínimo de tudo.

LAM - Você é formada em Secretariado e está concluindo Serviço Social. Fala dessas duas atuações e o que levou você a defini-las para sua intervenção profissional.

O secretariado não foi uma escolha eu quis fazer, pois imaginei que seria mais fácil de arrumar trabalho, já que eu queria sair da vida de doméstica, imaginei que teria mais oportunidades buscando uma profissão mais leve. Foi o que eu pensei quando optei pelo curso.
Já o Serviço Social foi uma escolha, eu sempre trabalhei com comunidades, trabalhava com crianças dando catequese quando eu era católica, e quando entrei no espiritismo continuei trabalhando com crianças, faço artesanato, teatrinho, gosto disso.
Trabalhei com crianças no morro da Piedade, morro do Moscoso e com um grupo de crianças do bairro São Pedro.
Trabalhei também com adolescentes em uma ONG e sempre busquei mostrar que deveriam buscar seus direitos, que não era o fato de serem pobres que deveriam baixar a cabeça para tudo, que o desemprego, trafico,marginalização, é culpa de uma sociedade que ainda não aprendeu a olhar pelos menos favorecidos e que se não corrermos atrás vamos ficar sempre de escanteio, com isso busquei algo que me desse fazer o que eu falava e pensava com profissionalismo e buscar os meios certos para fazê-los.



LAM - Você é coordenadora do Departamento da Infância do GETC. Fala da proposta desse grupo e das atividades desenvolvidas.

Lá eu trabalho com crianças de 7 a 12 anos de idade, é uma comunidade espírita.
Ensinamos a doutrina espírita, mais do que isso, buscamos que as crianças e jovens que passem por aquele lugar valorizem a vida, que respeitem as diferenças e aprendam a viver em sociedade e no futuro possam ser homens e mulheres de bem.
Por isso levamos a palavra de Jesus e valorizamos os ensinamentos de Kardec

LAM - Você participa do Anga Produções Audiovisuais. Qual a atividade desenvolvida e proposta profissional do grupo?

Na Anga eu sou uma espécie de Severino, faço tudo! Alias, toda equipe faz tudo, o grupo é formado por sete pessoas e nossa proposta é fazer vídeos com mensagens positivas, levar para as pessoas temas que façam refletir. Família, aborto, drogadição, desrespeito com seu próximo... vários temas que toquem o coação, mas sem querer pregar uma religião, mas fazer o outro pensar na vida, no que está contribuindo para a evolução da humanidade e de si mesmo.
A Anga Produções é uma instituição sem fins lucrativos que visa trabalhar temas urgentes na sociedade.



LAM - Qual a sua participação na webradio Espírita?

Na radio web Radio Espírita, eu entrei para auxiliar um amigo que iniciava um projeto. Ele trouxe uma proposta de uma rádio web com programas ao vivo, dai comecei a fazer entrevistas para compor um quadro de um programa, hoje sou entrevistadora, cubro evento e entrevisto pessoas.

LAM - Você participa do Clube Capixaba de Artes e Cultura. Fala da sua expectativa na comunidade.

Entrei na comunidade para ficar mais próximo das coisas que acontecem em termo de cultura capixaba, oficinas, apresentações... e ver no que posso contribuir na área, não canto nem danço e menos ainda interpreto mas amo a arte, me meto em toda parte, onde tem arte lá estou eu!



LAM - Você também é blogueira e possui um blog na rede: o Entrevistando com Ediane Sousa. Para você, qual a contribuição da internet?

Olha, eu gosto de saber o que as pessoas pensam a respeito de tudo, não sou fofoqueira, mas gosto de pensar junto, separar o que é bom e contribuir para mudar o que não está tão legal. A minha intenção não é catequizar, mas fazer com que as pessoas pensem juntas, busquem formas de resolverem juntas as situações e acho que é a partir da união que podemos contribuir para a evolução geral.
A internet é um meio de comunicação muito forte e amplo, na internet eu consigo me aproximar de pessoas que não me aproximaria em situações variadas.
Na net temos possibilidades de acalentar, discutir, desejar, olhar.
A internet é capaz de chegar onde você nem imagina.
Quando digo isso, não estou falando só de lugares estou falando também de sentimentos!

LAM - Quais os projetos você tem por perspectiva de realizar?

Quero terminar meu curso, termino no fim de 2011. Trabalhar na área, mesmo que não seja no emprego dos sonhos mas que possa praticar o que eu estou aprendendo com tanto carinho.
Quero ter um bebê e mais do que tudo, me empenhar para que a proposta do Cristo, que é a caridade, amor ao próximo, a si mesmo, respeito e humildade seja a meta de todo encarnado em faze de estagiário aqui no plano material.



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