terça-feira, agosto 21, 2018

PALETRAS & OFICINAS


PALETRAS & OFICINAS – Palestras e oficinas realizadas por Luiz Alberto Machado.

LITERATURA: MODERNIDADE & PÓS-MODERNIDADE
I

A LITERATURA DE HERMILO BORBA FILHO
I

NEUROEDUCAÇÃO
I

EDUCAÇÃO, CIDADANIA & MEIO AMBIENTE: O DIREITO DE VIVER & DEIXAR VIVER
I
V

BRINCAR PARA APRENDER
I

FAÇA SEU TCC SEM TRAUMAS
(METODOLOGIA CIENTÍFICA)
I

OFICINA CORDEL
I

OUTROS EVENTOS
I


terça-feira, agosto 07, 2018

FERNANDO PESSOA E O MAR, DE ADMMAURO GOMMES



GIRASSOIS QUE MORRERAM

Sei que meu corpo fala
E denuncia décadas
De girassóis que morreram
E nuvens de flores
Que rasgam o sol
Cada manhã...
Depois de tantas eras.

DÚVIDA

A dívida da dúvida
Pode ser uma dádiva.
Dá-se que uma suspeita
Ainda não confirmada
Aponte o endereço de uma Diva.
Ziguezagueando caminham os trens
Procurando o destino
Que se esconde na volta do vento.

LABIRINTO

Um mundo dentro do mundo
Segredos não revelados
Nas trapaças do destino
Nas luas que inventei.
Se alguém seguir a trilha
Que tracei em agonia
Pode se perder em rios
Atalhos pelo caminho.
Decerto, rasguei o mapa
Que mostrava a saída.
Se quiserem novo nome
Com travo de absinto
Tenho mais um heterônimo:
Labirinto.

PLUFT

A vida definha-se
A cada amanhecer
Que se deixa engolir
Pela noite densa.
Pulveriza-se
Mesmo pedra.
Desmancha-se frágil
Bola de sabão
Que navega
Em vãs ventanias.
E mesmo antes do tempo
Pluft!

UM MAR DENTRO DOS OLHOS           

Tem um mar dentro dos teus olhos
Que banharia a ilusão de um homem
E atiçaria
Toda e qualquer saudade;
Há uma luz que provoca
A mais séria ambição em quem sofre
E promete liberdade
A quem não sofreu de amor.
São bolas de cristal os teus olhos
Que enfeitiçam
Os sonhos mais impossíveis
De um guerreiro vencido.

UNIVERSAL

Universal é o mar como as manhãs.
Todo dia teremos água e maravilhas
Assim na terra como nos céus!

TUDO VALE A PENA

Nesta vida tudo passa
Como as ondas do mar
Como as do amar
Quando o vento transpassa.
Mas “tudo vale a pena”
Quando se volta a amar
Quando se volta do mar
“se a alma não é pequena”.

PESSOAS QUE PARTEM

As pessoas que partem
Parecem que partem
Alguma coisa dentro de nós.
Como algo de cristal
Continuam preluzindo
Reluzindo
Luzindo
Zindo
Indo..
Até transformarem-se em saudade.

ESCREVO

Escrevo porque as palavras
Procuram-me
Provocam-me
Perseguem-me.
Não posso fugir da briga.
Não tolero desaforo.
Luto.
Luta desigual.
Às vezes penso que venço.

INVENTÍVEL

Precisa-se de um poeta
Que invente palavras
Para dizer o indizível
Que arborize ideia
Que tire mel de colmeia
Invisível.
Que faça chover raios de sol
Em nuvens de pétalas
Que seja tão abstrato
Que veja coisas concretas.
Que fale sempre de amor
Que afugente a tristeza
Que não seja obrigado
A fugir da natureza
E não faça necessário
Rimar beleza com mês
Mas que tenha sempre dúvida
Enquanto tiver certeza.

CONTEMPORANEIDADE

Escrever para o meu tempo
Eis a dificuldade de fazê-lo.
Como dizer o que eu quero
Sem dizê-lo?
Que palavra usar que se leve
No bolso de cada pessoa
E se entenda pensamento
Perdido em metáforas?
Se é pra falar à posteridade
Que eu não diga coisa com coisa
Simplesmente acene
Com meu olhar de futuro.
Os que hão de vir
Dirão qualquer letra de mim.
Que me importa a tradução
Duvido que me descubram.

OUTROS POETAS

O poeta é um cidadão do mundo
Do mundo das palavras
Ilógicas góticas nórdicas
Qualquer coisa de tácito
Tudo que não se pode medir
Cabe no poema
E no coração do poeta.
O seu olhar mastiga o signo
E um sol de neve
Explode a cada novo som.
Depois deste mundo
Tem outras galáxias
Que pertencem a outros poetas.

O RIO QUE CORRE NA MINHA ALDEIA

O rio que corre na minha aldeia
Corre por dentro de mim.
Tem cristais de aroma
E peixes azuis
São águas de néctar
Em primaveras líquidas.
Banha as margens
Onde uma criança navega
Por lembrar os primeiros mergulhos
Na vida.
Um rio ainda corre na minha aldeia.


FERNANDO PESSOA E O MAR – A obra Fernando Pessoa e o mar (Autor, 2015), do poeta e professor Admmauro Gommes, traz o prefácio Admmauro Gommes: do melhor poema do poeta maior, por Vital Corrêa de Araújo, e é dividido em duas partes: Fernando Pessoa e o mar e Um século depois: 2015 em Pernambuco. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, julho 25, 2018

JORNADAS DE ECONOMIA POLÍTICA, HISTÓRIA ECONÔMICA E SOCIAL



JORNADAS DE ECONOMIA POLÍTICA, HISTÓRIA ECONÔMICA E SOCIAL – Acontecerá entre os dias 12 e 14 de setembro, no Centro Acadêmico do Agreste (CAA-UFPE), em Caruaru, a III edição das Jornadas de Economia Política, História Econômica e Social (III Jephes), comemorando os 200 anos do nascimento de Karl Marx (1818-2018). O objetivo do evento é o fortalecimento da pesquisa nas áreas de História Econômica e Economia Política, oferecendo subsídios para alunos, professores e pesquisadores através da troca das experiências com estudantes e estudiosos de outras regiões. Veja detalhes aqui.

 


terça-feira, julho 24, 2018

COLOQUIO DE FOTOGRAFIA DE CARUARU



COLOQUIO DE FOTOGRAFIA DE CARUARU – Acontecerá entre os dias 15 e 17 agosto, no Armazém da Criatividade e o auditório do Centro Universitário Tabosa de Almeida (ASCES – UNITA), em Caruaru, o I Colóquio de Fotografia de Caruaru (CFC), com atividades de fomento ao aprendizado na área, orientando profissionais sobre como inovar e desenvolver seus trabalhos em sintonia com os novos rumos do atual mercado fotográfico. Veja detalhes aqui.



segunda-feira, julho 23, 2018

POESIA ABSOLUTA DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO



O DESTINO POÉTICO DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO – [...] Pensamos ter demonstrado que nossos três escritores manifestam nitidamente três tratamentos diferenciados da subjetividade literária. José Lins, o prosado de Meus Verdes Anos, parece o mais isolado das duas almas trágicas que são os dois poetas. Mas é apenas uma impressão de superfície, já que VCA morde a veia da vida com igual apetite que ele. Supervielle é que parece ser a figura de irrecuperável tragidicdade. E, mesmo assim, as suas compensações poéticas encontram as dos seus dois confrades no topo da fonte de onde Pégaso fez jorrar a autêntica poesia. Trecho da obra escrita pelo professor doutor Sébastien Joachin (Bagaço, 2008), com prefácio de Antonio Campos, O destino poético de Vital Corrêa de Araújo, A perversão poética: entre a tradição e a invenção, Sublime e não-lugar do poeta e da poesia, Poésie de Pernanbuco ai début du XXI siêcle, Nomadismo e Utopia na escrita de José Lins do Rego, Jules Supervielle e Vital Corrêa de Araújo.


O FUTURO DA POESIA – Obra organizada pelo poeta e professor Admmauro Gommes (Inovação, 2017), dividida em duas partes. Na primeira parte, A poesia absoluta vital, traz do espanto a adoção de uma nova poesia, sobre futuro arcaico, arrebentando a linguagem, o poema é atemporal, um verso novo e palavra oca, mas cheia de si. Na segunda parte, os capítulos são divididos em A influência vitalina, com o neologismo de Tony Antunes, Mudança de rumo em Amanda Caroline, O jogo de palavras de Renata Moura e a Superação do poético em Pablo Pereira. Na terceira parte, O poeta e a crítica (da crítica), a arte que resiste ao tempo, o exercício da crítica literária, sobre a contribuição de Amanda Caroline, incitando a nova crítica e Renata mergulha no poema. Na segunda parte, os capítulos são definidos pelos temas Vital Corrêa: o poema de alma seca, de Amanda Caroline Freitas de Araújo; Poesia que desinterpreta as variações dos sentimentos humanos, de João Constantino Gomes Ferreira Neto; O desvario da palavra em VCA, de Renata Moura da Silva; Vital Corrêa de Araujo e a poesia absoluta, de Adonias José da Silva/ A profissão do significante na poesia absoluta de Vital Corrêa de Araújo, de Gleidstone Antunes; A poesia absoluta e a necessária coragem do abandono, de Vaio Vitor Lima; Vital Corrêa: um eremita da literatura, de Débora Rodrigues de Lima; A poesia absoluta em Admmauro Gommes: comentário sobre o poema Embriagado de sonhos, de Adonias José da Silva; e O retorno do recalcado na poesia absoluta, de Jefferson Evanio.


TEORIA DA POESIA ABSOLUTA – Obra do poeta e professor Admmauro Gommes (Autor, 2017), reunindo quatro capítulos, o primeiro deles sobre generalidades poética; o segundo, A poesia absoluta; o terceiro, Da ótica vital a diversos olhares; e o quarto, Mostra da poesia absoluta de Vital Corrêa de Araújo. Constam ainda no volume adendos reunindo a liberdade das palavras, poesia contagia e a vida e obra do autor. No anexo, dez motivos para estudar literatura.

GESTA PERNAMBUCANA
I



terça-feira, julho 17, 2018

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS KINOFORUM


FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS KINOFORUM – Acontecerá entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro de 2018, o 29º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. O Curta Kinoforum é um dos maiores e mais tradicionais eventos dedicados ao formato do curta-metragem no mundo e tem como objetivo o intercâmbio entre a produção brasileira e e internacional. Com um caráter cultural e não competitivo, o Festival visa exibir filmes que contribuam para o desenvolvimento do curta-metragem, sua linguagem, seu formato específico e sua forma de produção. Veja mais aqui.



domingo, julho 15, 2018

A POESIA SALVA A ALMA, DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO



APRESENTAÇÃO VITAL

Poeta (não é fingido) é simulador de falsas palavras.
Isto é, de fingidos sentidos. E sentimentos turvos.
Produtor de gritos novos e messes cilíndricas.
Fazedor vital de falsos perfumes do verbo.
E de desaromas verdadeiros. Ao simular palavras
(ocas porque plenas do sal do silêncio ocas porque o abril
cruel de Eliot as fez assim) o poeta dá sentido ao caos do cosmos.
Formalmente objetiva o ser do verbo. E o verbo é o humano
Posto na página. O que restou da luz do sopro de Deus na terra.
EM SÍNTESE
Se há lógica na poesia é a da redução completa ao absurdo.
E se há crença na poesia é por ser ela absurda.
Crer na poesia é ser humano.
A poesia salva a alma.

DEFINIÇÃO DE POESIA

Poesia: máquina de moer ângulos
Esmagar catetos das hipotenusas azuis
E reviver pó a partir das cinzas do espírito
Forjar bobinas de abelhas cúbicas
Para turbinas esquizofrênicas.
Poesia: máquina de morder êmbolos
E pôr gritos diurnos nas bocas da noites como brisa.
Poesia: máquina para revigorar sono de pedra
E indefinir o esmo com o verbo deserto
E a palavra nômade.
Preciso de lama fria
Para emporcalhar o inferno.
Desordem? Uma palavra que significa divo caos.
No interior da alma ressoam
Silenciosos precipícios da existência
No interior do brancos ermos do mundo.

O POEMA ABSOLUTO

O poema absoluto na realidade é hipnótico. À primeira vista, estranho, tende-se a afastá-lo de si, dos olhos e mentes leitoras. No entanto, a reação é anti-hipnótica: quer-se livrar do efeito medusante, paralisante, devorador do ente fruto do verbo de barro. Sua complexidade penetrante, seu hermetismo atraente exercem um efeito seduzante, ao qual a primeira reação involuntária é evitar, porém logo o estranhamento torna-se encantamento. E algo irresistível leva-o (a leitor absoluto) a bordo do poema, a ir – como Rimbaud bêbado – embarcar na ébria barca dos sentidos.
Pode-se afirmar que o poema absoluto beira a linguagem do desejo oculto.

APELO

Não me entendam, por favor.
Se não me entedio.
Meus poemas não são pour épater... e nada mais.
Ou menos, tanto faz.
Faço poemas para mim (o outro mesmo).
Primo entre os pares fluo banalmente
Com a palavra em haste
Erguida contra céu riste.
Sem deméritos comigo mesmo
E sem benemeritismos inóspitos.
Ou hipócrita beneficentismo.
A prima face do meu poema doo a Narciso
Premier dos príncipes lacustres.
O que cortou o rosto
Com cacos de água.
Adendo: apelo aos Correios para que aceitem cartas de suicidas sem selos.

IRRESSURREIÇÃO

Há uma insurreição em mim
De antigos e devolutos textos
Não das terze rime, mas versos libres.
É uma irrupção verbal amorfa e plena.
Um treno (grego) em que noções
De antes e depois mirraram
Esplendorosamente as distâncias entre
Eu e eu, eu e outro, eu e o mundo partiram-se
Morreram e ressuscitaram
Agora no túmulo da lenda moram.
Se fundem o infinito e o fragmento.
Se inacaba o tempo e a lua não mais torna ao mundo vazio.
Silos de instante se avolumam
Transes e ritmos pulsam, sítios e átimos dançam
Hortas de hora a vida aduba.
O conhecimento vinho não me perturba.

DESOLHAR

As escarpas belas do teu olhar alpino
(olhar lateral é a da real
E insincera leitora)
Lábio sujo com úmida pertinácia
E atiço e acicato
Sentidos que não queiram delirar.

POEMA REDONDO

A terra exige seus direitos (inalienáveis)
Apregoa a pregadores suas mazelas
Desola Eliot
Que olha suas nervuras e trevos
E treina malmequeres em Álbion
As vacas sagradas dos empreendedores mugem
As veias devastadas dos jovens
Pela química desenfreada da alegria pétrea
Pelo êxtase comprimido em cachetes brancos ou róseos
Anseiam por ditirambos e renúncias democráticas
Hinos de cinza se erguem das taças de tório
Lábios plutônicos espiam vaginas de uranio
Bocas de césio anseiam por hecatombes goianas
Eitos de novalis se acumulam sob lua sonâmbula
Que fareja nos silos dos pounds de algibeira o limbo da palavra
Estéril herança, áridos legados, ócios e trapaças azuis
Imitações de falsos propércios cesários
Vendidas por frações de sestércios (e deuses de césar)
Cerdas para escovações viris, senis vassouras januárias
Lembranças de abortos, colmeias encantadas.

A POESIA SALVA A ALMAO livro A poesia salva alma (Autor, 2017), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, traz VCA salva a alma da poesia de Rogério Generoso e poemas A ver antes sem mais havê-lo. Veja mais aqui.