terça-feira, julho 17, 2018

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS KINOFORUM


FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS KINOFORUM – Acontecerá entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro de 2018, o 29º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. O Curta Kinoforum é um dos maiores e mais tradicionais eventos dedicados ao formato do curta-metragem no mundo e tem como objetivo o intercâmbio entre a produção brasileira e e internacional. Com um caráter cultural e não competitivo, o Festival visa exibir filmes que contribuam para o desenvolvimento do curta-metragem, sua linguagem, seu formato específico e sua forma de produção. Veja mais aqui.



domingo, julho 15, 2018

A POESIA SALVA A ALMA, DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO



APRESENTAÇÃO VITAL

Poeta (não é fingido) é simulador de falsas palavras.
Isto é, de fingidos sentidos. E sentimentos turvos.
Produtor de gritos novos e messes cilíndricas.
Fazedor vital de falsos perfumes do verbo.
E de desaromas verdadeiros. Ao simular palavras
(ocas porque plenas do sal do silêncio ocas porque o abril
cruel de Eliot as fez assim) o poeta dá sentido ao caos do cosmos.
Formalmente objetiva o ser do verbo. E o verbo é o humano
Posto na página. O que restou da luz do sopro de Deus na terra.
EM SÍNTESE
Se há lógica na poesia é a da redução completa ao absurdo.
E se há crença na poesia é por ser ela absurda.
Crer na poesia é ser humano.
A poesia salva a alma.

DEFINIÇÃO DE POESIA

Poesia: máquina de moer ângulos
Esmagar catetos das hipotenusas azuis
E reviver pó a partir das cinzas do espírito
Forjar bobinas de abelhas cúbicas
Para turbinas esquizofrênicas.
Poesia: máquina de morder êmbolos
E pôr gritos diurnos nas bocas da noites como brisa.
Poesia: máquina para revigorar sono de pedra
E indefinir o esmo com o verbo deserto
E a palavra nômade.
Preciso de lama fria
Para emporcalhar o inferno.
Desordem? Uma palavra que significa divo caos.
No interior da alma ressoam
Silenciosos precipícios da existência
No interior do brancos ermos do mundo.

O POEMA ABSOLUTO

O poema absoluto na realidade é hipnótico. À primeira vista, estranho, tende-se a afastá-lo de si, dos olhos e mentes leitoras. No entanto, a reação é anti-hipnótica: quer-se livrar do efeito medusante, paralisante, devorador do ente fruto do verbo de barro. Sua complexidade penetrante, seu hermetismo atraente exercem um efeito seduzante, ao qual a primeira reação involuntária é evitar, porém logo o estranhamento torna-se encantamento. E algo irresistível leva-o (a leitor absoluto) a bordo do poema, a ir – como Rimbaud bêbado – embarcar na ébria barca dos sentidos.
Pode-se afirmar que o poema absoluto beira a linguagem do desejo oculto.

APELO

Não me entendam, por favor.
Se não me entedio.
Meus poemas não são pour épater... e nada mais.
Ou menos, tanto faz.
Faço poemas para mim (o outro mesmo).
Primo entre os pares fluo banalmente
Com a palavra em haste
Erguida contra céu riste.
Sem deméritos comigo mesmo
E sem benemeritismos inóspitos.
Ou hipócrita beneficentismo.
A prima face do meu poema doo a Narciso
Premier dos príncipes lacustres.
O que cortou o rosto
Com cacos de água.
Adendo: apelo aos Correios para que aceitem cartas de suicidas sem selos.

IRRESSURREIÇÃO

Há uma insurreição em mim
De antigos e devolutos textos
Não das terze rime, mas versos libres.
É uma irrupção verbal amorfa e plena.
Um treno (grego) em que noções
De antes e depois mirraram
Esplendorosamente as distâncias entre
Eu e eu, eu e outro, eu e o mundo partiram-se
Morreram e ressuscitaram
Agora no túmulo da lenda moram.
Se fundem o infinito e o fragmento.
Se inacaba o tempo e a lua não mais torna ao mundo vazio.
Silos de instante se avolumam
Transes e ritmos pulsam, sítios e átimos dançam
Hortas de hora a vida aduba.
O conhecimento vinho não me perturba.

DESOLHAR

As escarpas belas do teu olhar alpino
(olhar lateral é a da real
E insincera leitora)
Lábio sujo com úmida pertinácia
E atiço e acicato
Sentidos que não queiram delirar.

POEMA REDONDO

A terra exige seus direitos (inalienáveis)
Apregoa a pregadores suas mazelas
Desola Eliot
Que olha suas nervuras e trevos
E treina malmequeres em Álbion
As vacas sagradas dos empreendedores mugem
As veias devastadas dos jovens
Pela química desenfreada da alegria pétrea
Pelo êxtase comprimido em cachetes brancos ou róseos
Anseiam por ditirambos e renúncias democráticas
Hinos de cinza se erguem das taças de tório
Lábios plutônicos espiam vaginas de uranio
Bocas de césio anseiam por hecatombes goianas
Eitos de novalis se acumulam sob lua sonâmbula
Que fareja nos silos dos pounds de algibeira o limbo da palavra
Estéril herança, áridos legados, ócios e trapaças azuis
Imitações de falsos propércios cesários
Vendidas por frações de sestércios (e deuses de césar)
Cerdas para escovações viris, senis vassouras januárias
Lembranças de abortos, colmeias encantadas.

A POESIA SALVA A ALMAO livro A poesia salva alma (Autor, 2017), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, traz VCA salva a alma da poesia de Rogério Generoso e poemas A ver antes sem mais havê-lo. Veja mais aqui.



ID DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


SOU (?)

Eu deliro quando poemo.
Sou o id. E você é o quê?
Creio no incrédulo.
De insana consciência declaro que sou.
De mim dou infé.
Busco, creio, sonho com a incerteza
E o descontínuo
Detesto continuidades extensivas
E simetrias idiotas, iro
A lógica hiante cotidiana
Do ser ordinário curral e seminário
Os frios cálculos da usura (que dependuro
E crucifico na cruz contável e festejo com linces bursáteis
E suas mandíbulas de deságios).
Execro a ignorância crassa
Dos que vivem de banalidades imperiosas
E se movem só no entorno
Do juro, da moeda e do umbigo.
Vade retro
Ordinária humanidade!

MEU POEMA

Meus poemas vivem à superfície
(a claridade profunda os escurece)
Dos sentidos natos é afogado.
Uso toda a maestria da imperícia
Para compô-lo com ensoberba grave.
Sou adepto (de fécula) de metro fúnebre
(que mede a morte da poesia)
Que meçam a autora do útero (antes do aborto)
E a raiz (ou ardis) do gozo
Que não interessa.

ELEMENTOS DO POEMA

Narcisos não são sonolentos, mas fugazes
Nuvens que são esferas (esférico Deus)
Montanhas não são cones (cônicas águas)
Gaivotas são círculos do ar salino
O córtex de um pinheiro é plano
Nenhum raio viaja em lua reta
(contra Einstein).

POSIÇÕES

Cremes para consumo dos rostos.
Súplicas para conforto da alma.
Sombras para gozo das pálpebras.
Prego a fundação de uma nova
Realidade poética
Um novo vigor da palavra
Uma nova aventura do verbo
(cansado da rotina que Deus me deu).
Prego nova sensibilidade
E nova modalidade de rima.
Em poema, não há circunstâncias atenuantes
Nem culpa sem dolo, verbo sem alma.
O que se apodava inspiração
Hoje, agora, é espírito crítico.

IDELIRANDO

Brisa apazigua deuses
Noite esmera sombras
Tarde afoga-se dos pasteis do crepúsculo
Lua apunhala de silêncio a alma.
Todo amor é solitário
Nenhum gozo se divide
A volúpia é promíscua
Invejosa, avarenta.
Outono chora folhas
Que foram embora.
(Como choro da lucidez desvairada).
Veredas do outono não percorri.
Elas vivem em meus pés.
Ensinam ao rosto o caminho.

ID LÍRICO

Em teu olhar há
Luas acantonando-se docemente
E sois esperando
Desmaio da tarde.

ID MÚSICO

Venho de longos violoncelos
De zelos e cantatas mortas há muito.
Venho de gorjeios de flores
Rubro arrulho de rosas
Trago secreto matizes de pássaros comigo.
Comungo com ovelhas
E velhas estrelas
Da comarca quimeras.
(A vida é estreita porta para o sopro
Espessa saída para o nada
Que parca torpe fia e desfia
À vontade de sua triste sina).
(Roca vil).

IDÍTICAS CERTEZAS (OU CINZAS DO EGO)

Há vândalos no imo das fortalezas
Touros acantonados nas furiosas ameias.
Cílios dos olhos das colmeias
Prêmios das quintas do inferno.
(ID sonha o céu).
Das ruas ira submarina
(imersa nas almas – sanguessugas)
Cólera cerca edifícios
Dos halls raiva se banqueteia.
Templos de conflitos das avenidas
Atropelados choram nas calçadas
Mendigos rosnam como ratos da última sarjeta intacta.

ÚLTIMA LÁPIDE

Abandono a claridade crua
A selvagem panaceia do nítido
Penetro a escuridão líquida.
Se alma mandíbula metafisica
Do gusano devora
Come meu corpo terra ingrata (e sagrada).

IDO livro Id (Autor, 2013), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, traz apresentação de Roberto Cavalcanti de Albuquerque, ID Vital de Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque, O ID e o poeta & Para entender Vital Corrêa de Araújo de Admmauro Gommes, ID e a Poesia Absoluta de Vital de Osman Holanda Cavalcanti, e é dividido por ID Primo, ID Duo, ID Tertvs, ID Qvartvor, ID Qvintvs, Com a palavra o ID, ID Sextvs (ou o sexo do ID), Mãos ausentes. ID Septvor, Conclvsão, Adendos para desesclarescimentos do leitos e Adendos de última hora, Cínicos, como o ID. Veja mais aqui.



quinta-feira, julho 12, 2018

SEMINÁRIO CORPO, GÊNERO E SEXUALIDADE


SEMINÁRIO CORPO, GÊNERO E SEXUALIDADE – Acontecerá entre os dias 19 e 21 de setembro, no CIDEC Sul – Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o VII Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade: resistências e ocupa(ações) nos espaços de educação, além do III Seminário Internacional Corpo, Gênero e Sexualidade e o III Luso-Brasileiro Educação em Sexualidade, Género, Saúde e Sustentabilidade. O Seminário é direcionado para professores/as da rede pública e particular de ensino, profissionais da área da saúde, pesquisadoras/es, estudantes de graduação e pós-graduação e demais profissionais interessados/as. O evento busca trazer para o cenário de debates as práticas, presentes em diversas instâncias sociais, implicadas na produção de políticas voltadas ao fazer viver, à medicalização, à promoção da saúde, à juvenização, à beleza, à heteronormatividade, por exemplo, temas relacionados ao controle dos corpos e, nele, dos gêneros e das sexualidades, entre outras temáticas que tem ganhado espaço no cenário social. Veja detalhes aqui.


terça-feira, julho 10, 2018

CONGRESSO DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO


CONGRESSO DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO – Entre os dias 19 e 21 de setembro de 2018, acontecerá na PUC Campinas – Rod. D. Pedro I, Km 136 – Parque das Universidades, em Campinas, São Paulo o III Congresso de Filosofia da Educação - Escola: problema filosófico, promovido pela Sociedade Brasileira de Filosofia da Educação no Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Os eixos temáticos do evento são: A escola e seus problemas, Os professores e seus problemas, Os estudantes e seus problemas, Os funcionários da escola e seus problemas, A gestão escolar e seus problemas e Filosofia da Educação e os problemas da Escola. Veja mais detalhes aqui.


CONGRESSO INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA SOCIAL


CONGRESSO INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA SOCIAL – Acontecerá entre os dias 19 e 22 de setembro de 2018, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, o VI Congresso Internacional de Pedagogia Social & Simpósio de Pós-Graduação, com objetivo de realizar uma reflexão quanto ao papel da Pedagogia Social em constituir-se em uma resposta pedagógica à diversidade de ameaças, conflitos e disputas que ameaçam a sociabilidade humana em diversos contextos e partes do mundo. No evento ocorrerá conferências magnas, mesas temáticas, oficinas/minicursos e visitas sociais envolvendo os participantes. Veja detalhes aqui.




segunda-feira, julho 09, 2018

HÍMEN DE MALLARMÉ, DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


TEMPO NÃO FOGE, ABOLE

Por mais que o tempo não fuja de mim
Em debandadas horas
Abandonem-me as veias (e capilares horários)
Ou percorram meu corpo
Endiabrando-se pelos ínvios
Caminhos da vente (saltos
E cachoeiras de sinapses selvagens
Estremecendo-me a alma
Que acredite em édens)
E se imiscua da carnadura das idades
Como o sangue de um soneto
Ou de hecatombe cem agonias
(decretando a sucumbência do coração)
Resta algo a perder sempre.
(Este poema que continua
Na próxima página
Foi composto após
O sétimo uísque com gelo (single malt)
No numinoso terraço em ele
Da casa da montanha)
Não que sumidouros morressem.
Não que sílabas estivessem cansadas
Não que alma não mais ululasse
Como antigamente (latim do corpo).
Não que os lamentos se petrificassem.
Não que saudade fosse só rastro
Ou mentia (meio que encantada).
Não que domingos perdessem o branco.
Ou juros o ábaco.
Não que luar caísse como pedra ou coroa
Sobre jardim fúnebre (ataviado de cravos de lamúria).
Não que sangue da estrelas coagulasse olhos
E o leite da constelação rastejasse.
Só porque hoje é sábado.
E a vida ainda dorme
Enquanto eu não sobrevivi
À sexta-feira sem paixão
(após quarta-feira
De cinzas acesas).

PARA ENTENDER POESIA É PRECISO

Para entender poesia é preciso
Que leitor não ignore as constelações
Nem estigmas que crepitam
Na página branca
Onde poetas derramam seus delírios amarelando.
Onde erram licores
E rios atentos urram
Em busca das rimas d’água
De sonetos afogados
E baladas sonâmbulas.

ESCREVO POESIA POR QUÊ

Eu escrevo poesia porque vou morrer.
Porque a eternidade existe para a pedra
E não para a carne.
Porque o espírito é de barro.
Eu escrevo poesia para que não amanheça nunca
Para que meu rosto termine logo.
Para que eu não seja.
E o mundo me esqueça.
Para que tigres
Lambam meu féretro.
Para que fúnebre cravo
Rosa dissoluta
Lírio absoluto
Rastejem em meu rosto.
Extinto.

POEMA EM FRENTE E VERSO
(FRENTE)

Do limiar de pássaro projeto
Meu voo ao Averno
Minha lídima vinda ao inverno
Meu périplo direto ao acervo
(dos ossos das utopias e dentes combalidos do ardor)
Meu ir para o que volto projeto
Para o quando do rosto acordo
Enquanto manhã agoniza olhos
Sobre tratado monetário debruço
Último juro e injúria usurária
Compêndio do absurdo
Ao lado do leito coalhado de solidão
Arrumo com a lentidão dos gestos finais
E jogo o resto do devaneio (e dúvidas que sobrarem).

VERSO

Parâmetro de meu porvir de prata e dano
Vive da escavação de meu ego tíbio
Financeiro (e culinário) a pastar o abrupto
Além de viver da ração de orgasmo diário
A ouvir a dor vir do interior para o horizonte de si
Exterior que violenta o lírio, a alma, o sono
E joga-os contra as jazidas esquecidas do sal
Onde átimo de seiva cavo
Para adubo íntimo do mundo
A tudo devoto o nome alicerce vital onde
Sílabas esculpo com hiato e buril, túneis pronuncio
Para fortaleza do ânimo em ruína
E termino por enterrar o sono no lençol de pedra do id
Que é meu pronome final.

ALMA TEM NOME E DANO

Também morre o barro
A ébria luz do olhar branco
O sopro cega
A dor não ensurdece o grito que ela elabora
O betume se apossa do espírito
O deserto arde como a alma
Tão perto da autora e da pedra
E da perda do nome para a terra.

POEMAS

Não te quites com o que virá
Não te comprometas com céus
Não te consoles com piedade ou véus
Não acostumes teus olhos
A miragens ou promessas de luz (falsa)
Não comercies indulgências baratas
No mercado bursátil da providência vale a farsa
Não condescendas com sinas amenas
Pois o esplendor do abismo é vivo.
Nem todo lume é falso.
Nem toda razão inútil.
Gramaticas não são dádivas edênicas.
A sintaxe é a paralisia da palavra.
Reio. Rédea insana. Maldição do verbo.

DESGOSTO DE DEUS

Quando tudo ainda estava-se criando
E o Senhor ocupado suava da lida inútil
Do infinito esforço vão
As divas mãos já muito gastas
De tanto amaciar o barro
E modelar a vida
Com a argila da imaginação oleira
(oficio desse Ser Artista tão Alto)
Forja ainda incompleta
(a usina do Demiurgo plena)
O distante domingo apenas uma meta
Ele a meditar ainda no profundo cálculo da borboleta.
Sentiu de súbito
Num relâmpago do divo pensamento
A inutilidade de tudo aquilo
O desperdício do sopro (divino)
Mas não desistiu (infelizmente).

CAMINHO MORTAL DO POEMA

Pelos lábios do dicionário
E becos sintáticos
E ciladas da gramática sigo
Em direção ao centro do poema
Em busca do sentido perdido.
Atravesso pupilas das moscas
Exército indecoroso dos gusanos gramaticais
Sempre a postos em todo o percurso
Alçando o âmago do ômega
A linfa alfa morro.

COITADO LEITOR

O leitor de poesia – por vício ocupacional
Do texto parnasiano (sobrevivente
inusitado)
que aqui se chamou de romântica
tende (ou continua) a procurar conceitos
no poema e não imagens. Então, quebra a cara.
Escorrega, desliza pela página como um parque
Aquático
Passa ridículo. Segue em, branco, longe da verdade.
Por isso a poesia detém sua verdade.
Ínsita, soberana, peculiar (apodítica).
A atitude desse leitor ignato
É decifrar conceitos (e se embasbacar com imagens)
Descobrir definições, fechar silogismos.
É viciado em exegese, como um advogado. Por
Instinto ou definição.
Busca o sabor da ostra poética
Sobre a crosta. O acepipe lógico.
O bônus gramatical. Coitado!

POEMA: VEIA DA PALAVRA

A poesia respira pelos pores e cones (cubos e ícones)
Dos fragmentos das frases.
A frase íntegra é o pulmão da prosa.
A poesia conta a história da palavra
Sua odisseia filosófica, narra
O desvario de seus sentidos (nada óbvios).
A prosa usa a palavra como bucha de canhão.
Mix de vozes e sílabas
Compõe o poema.
A poesia é o conhecimento do obsceno (verbal).

POESIA

Poesia casulo de palavras
Antro de proliferação de fragmentos verbais
Prole de sentidos rimbaudianos
Usina de sintagmas onde demiurgos
Siderurgiam vozes do amálgama de aço das palavras
Extraem sentidos, multiplicam imagens
Engenho da imaginação da linguagem
Ostra de significantes, concha
De vivas sílabas reluzindo
Como amapolas ou nenúfares perfeitos.
(cinamomos azuis, anêmonas gentis, asfódelos hirsutos)
É nácar a mãe da pérola do verbo.
É níquel a alma (e o corpo) do vocábulo.
A poesia é um casamento de palavras (amasiadas).
Poesia casamata de verbos sublevados.
Plúmbea, púbica, alquímica verdade do mundo.

HÍMEN DE MALLARMÉ O livro Hímen de Marllarmé (Autor, 2013), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo, é dividido pelas partes Sal noturno, Alfa, Beta, Delta, Teta, Gama e Ômega. Veja mais aqui.