quinta-feira, dezembro 14, 2017

ENTREVISTA ARANTES GOMES DO NASCIMENTO


ENTREVISTA ARANTES GOMES DO NASCIMENTO – O professor, escritor e pesquisador na área de linguagem, Arantes Gomes do Nascimento, é pós-graduado em Língua Portuguesa e autor dos livros: Coerência ou Incoerência?(CBJE, 2008), Comunicação Sindical: uma interação dialógica entre Direção e Base (Bagaço, 2015); A Ética na Formação de Professores (Bagaço, 2015) e Diálogo em Prosa (CBJE, 2017). É militante em movimento sindical, no segmento da educação, servidor Público Estadual de Pernambuco e Municipal de Caruaru onde leciona a Disciplina de Língua Portuguesa na Escola Municipal Professora Laura Florêncio. Elaborou os Jogos Pedagógicos “Dominando a Acentuação Gráfica” em 2007 e “Desembaralhando Verbo” em 2008. Atualmente, ocupa o cargo de Vice-Presidente na Academia Palmarense – APLE. Ele concedeu uma entrevista falando de sua arte, seu trabalho acadêmico e artístico, trajetória e muito mais. Confira.

LAM - Arantes, vamos começar pela área literária: quando e como se deu seu encontro com a Literatura?

Bem, vamos lá.
Meu encontro com a literatura se deu no município de São Benedito do Sul, quando inicie na vida escolar, na Escola Municipal Heliodoro Pereira de Andrade com a professora Élida.  Nós morávamos lá. Como a cidade tem muita tradição em lendas, ela nos contava muitas histórias.  Aprendi a ler com seis anos de idade. Eu gostava muito das fábulas. Lembro também de muitas brincadeiras no escorrego que dava entrada à escola. Gostávamos de brincar e da professora. Mas foi em Palmares que tive o contato com a literatura dita brasileira no início da década de 80, na Escola Estadual Monsenhor Abílio Américo Galvão e no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, quando uma professora minha passou uma atividade de pesquisa na Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto, sobre a poesia de Ascenso Ferreira e outros escritores palmarenses. Foi quando me deparei com a Enciclopédia Griz de Artur Griz, escritor de Palmares. Fiquei encantado com aquilo. Isto ficou registrado no HD de minha memória até hoje. Uma outra cidade que gostaria de considerar importante na minha formação literária foi Sertânia onde estudei no Grupo Escolar Professor Jorge de Menezes. Destaco o caráter científico. Pois lá, eu percebia isso pela vontade que meus irmãos mais velhos tinham em estudar sob a perspectiva técnica profissional. Nosso pai, Adalberto Inácio, trabalhava na Rede Ferroviária do Nordeste e era Agente de Estação, por isso a família mudava bastante de cidade. Concluí as séries iniciais do Ensino Fundamental lá. 

LAM - Quais influências da infância e adolescentes foram determinantes para sua formação pela carreira literária?

Acredito que, inicialmente, foram os irmãos Grim, Esopo, La Fontaine, Monteiro Lobato e Cristian Andersen (este serviu de inspiração para o nome do meu primogênito Anderson Arantes).
Depois poderia citar vários autores, mas destacarei José de Alencar, Machado de Assis, Eça e Queiroz,  Fernando Pessoa, Luiz Vaz de Camões, Gil Vicente, William Shakespeare ...
Gostava e gosto ainda de ler sobre vários assuntos nos livros de História, Geografia, Gramática, Religião, Matemática (brinquei muitas vezes de fazer cálculos nos momentos de lazer), Dicionário, oportunizado pelo meu pai. Aprendi muito cedo a decorar o nome completo de D. Pedro primeiro constituído por dezoito nomes por insistência também dele. Além de gostar de outros temas.

LAM - Você como escritor se define como cronista e articulista, publicando o livro Diálogo em prosa, pela Casa do Novo Autor da Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), que reúne artigos, poesias, enfim, uma diversidade literária. Fala da proposta e recepção pública do livro.

Pois é. Ainda estou me encontrando como escritor e poeta. Pois tenho experiências ótimas nessas duas dimensões da linguagem. Procuro desenvolver a escrita de forma generalizada. Eu me defino hoje como articulista por que foi neste gênero que consegui várias publicações em jornais e revistas do nosso estado e da região. Mas foi com um poema “Referência” o meu primeiro trabalho publicado em livro, compondo o 40º Volume de Poetas Contemporâneos do Rio de Janeiro. Eis o poema:
*
Referência

São duas faces
Do mesmo coração:
Uma, alma gêmea
Outra, gêmea d’alma.
Esta pensa, mas diz
Aquela não diz, mas pensa.
A primeira ...
É sonho,
É luar;
A segunda...
Sonha
Em viajar.
A última é razão
E a que resta: sofreguidão!
São duas faces
Da mesma moeda:
- uma, verdade
- outra, ilusão.

* Poema publicado na40ª Antologia de Poetas brasileiros Contemporâneos no Rio de Janeiro-RJ em outubro de 2007. Publicado no livro Diálogo em Prosa junho de 2017.

No entanto, devido aos estudos acadêmicos sobre a Coerência posso dizer também que tenho um pouco de cronista. Cujas produções podem ser encontradas em vários jornais do estado e cidades circo vizinhas. É nesse dilema que vivo produzindo em vários gêneros textuais. O meu quarto livro Diálogo em Prosa, que você citou, é um exemplo disso. Nele apresento sete gêneros textuais: artigo, carta, conto, crônica, fábula, poema e notícias. Assim, Luiz Alberto, gostaria de exemplificar o que digo com um texto em prosa e o outro em verso que representam significativamente o que digo:
O Sentido do texto hoje
  Quantas vezes ouvimos alguém dizer que não entendeu o sentido de um texto. Isso também acontece nas aulas de Português, quando o professor, ao ler os textos de seus alunos, diz que a incoerência tomou conta das produções textuais dele, tornando seus textos incoerentes – sem que ele dê qualquer explicação convincente para justificar esse fenômeno. Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: todos os textos, estou convencido, são, a princípio, coerentes.
Para os estudiosos desse assunto (não é possível agradar a todos), são notáveis as divergências de opiniões. Dentre eles, há uma minoria que defende a existência do texto incoerente. Para estes, quando o receptor/leitor não conseguir encontrar qualquer continuidade de sentido na sequência linguística, o texto será incoerente. Há outros, porém, que colocam a incoerência como fazendo parte do emissor/produtor que, por não adequar o seu texto à situação comunicativa, comete falhas, causadoras de incoerência, mas em nível local.
  No entanto, através das experiências individuais, ou seja, do modelo cognitivo – armazenados na memória – outra pessoa poderá calcular o sentido do texto, efetivando a coerência – vista como o princípio de interpretabilidade. No segundo caso, é a questão pragmática – unanimemente defendida pelos teóricos desse assunto.
  O que fazer então para um texto ser compreendido entre os usuários A cooperação é, justamente, a primeira atitude dos interlocutores quando estão diante de um texto. Compreender e agir como se ele fosse coerente é o primeiro passo para que a interação aconteça. As pessoas utilizam a língua como um tipo de ação conjunta para a realização das mais diversas atividades do dia a dia e a linguagem como a própria manifestação interativa entre os sujeitos envolvidos no processo comunicacional. É nesse convívio social que surgem os textos orais e escritos.
 Emissor, receptar e situação comunicativa formam, nesse contexto, a tríade da comunicação, pois é em relação a eles que uma meia dúzia de fatores de ordem: linguística, discursivos, cognitivos, culturais e interacionais se desenvolvem, norteando, por conseguinte, a mensagem verbal para que ela seja compreendida e a coerência efetivada.
  Depois de tudo isso, convém perguntar: o que torna, portanto, um texto incoerente: Não se pode negar a existência da incoerência, mas como fazendo parte obrigatória de um texto é um absurdo. Se algum desses fatores não forem levados em conta, a compreensão do texto será dificultada, porém tendo a coerência como um princípio interpretativo esse fato facilmente será resolvido.
  De acordo com o linguista francês Charolles, não há o texto incoerente em si, pois não há regras para uma boa ou má formação/construção de um texto, por isso, não faz sentido estudar o texto sob uma perspectiva gramatical – antes da década de 80 (hoje, essa prática ainda é bastante usada). Sob uma visão dialógica e funcional da língua, é conveniente endossar estes pesquisadores brasileiros. Koch e Travaglia quando afirmam: todos os textos são, em princípio, aceitáveis, logo, coerentes (friso meu). Nesse caso, sempre haverá um contexto para que a sequência linguística dada como incoerente passe a fazer sentido, constituindo um texto e não um amontoado de palavras – a partir de então o texto é analisado através de teorias, pois há fenômenos que só se explicam dentro de um texto.
  Assim, acreditar na ideia – em primeiro plano – do texto incoerente, sem considerar as crenças, os desejos, as preferências, as normas e os valores dos interlocutores é, ao mesmo tempo, negar o que há de mais concreto na linguagem humana.
  Numa óptica interacionista, texto e coerência estão em xeque, visto que esses dois fenômenos são, na verdade, os pressupostos às pesquisas científicas não somente na linguística Textual, mas também nas disciplinas afins.
Artigo publicado no Jornal do Commércio no caderno opinião em 07 de outubro de 2005, sexta feira.Publicado no livro Diálogo em Prosa junho de 2017.

                                                                Histeria          
Em cada sorriso, o grito
Que faz ecoar seu rincão!
No olhar do mito, a voz
Que chora à solidão!

Intrépida coalizão de abutres
De sonho, rimas, gratidão!
Aflora no peito, cada gemido
O medo e o perdão!

Brincam com a sorte
Dos que choram por justiça!
Pisam nos sonhos
Dos mais famintos!
- Depois pedem perdão!
A caminho do aeroporto Juscelino kubistcheque Brasília 18/04/2016; Publicado no livro Diálogo em Prosa junho de 2017.

No livro Diálogo em Prosa faço um agradecimento a todos que compartilham comigo das crenças, histórias, sonhos, desejos: a vida.
Aos Jornalistas, Repórteres, Editores, Blogueiros e Internautas pela produção, cobertura, edição, compartilhamentos e comentários sobre os textos aqui socializados.
Agradeço também à imprensa escrita Jornal do Commércio, Diário de Pernambuco, Folha de Pernambuco, Vanguarda e Extra de Caruaru e o Jornal do Interior de Palmares pela vinculação de textos e matérias sobre o nosso trabalho.  
Um agradecimento aos familiares, ao tio paterno, José Inácio do Nascimento, in memoriam, em especial ao meu irmão Almir Gomes do Nascimento e Anderson Arantes Valença do Nascimento meu filho pelas contribuições escritas e sugestões na elaboração deste livro, cuja ação produziu frutos.

LAM - Você também é professor graduado e pós-graduado em Língua Portuguesa. Quais as principais dificuldades encontradas no processo de ensino/aprendizagem da língua, na relação com os estudantes?

Pois tá. Posso dizer que são muitas, mas aqui vou registrar apenas algumas. Em primeiro plano o nosso modelo de educação não qualifica o estudante para ser o protagonista na sociedade nem no mundo do trabalho. Isso acontece por várias influências externas que são colocadas como fazendo parte da escola. O currículo ainda não atende às necessidades locais. A escola ainda não está preparada para isso.Salas de aulas superlotadas é um outro grande equívoco. Não se respeita a legislação. Não permitindo um trabalho eficaz do professor. Outro aspecto que merece destaque são o conjunto de materiais didáticos para subsidiar o trabalho de professor em sala de aula. Não há uma valorização também nesse aspecto. Eu também destaco a Formação Inicial, que infelizmente o que aprendemos nas faculdades não é o que estamos ensinando aos estudantes em classe. Há uma dicotomia muito aguda nesse aspecto, sem falar dos baixos salários que a categoria recebe, além do não cumprimento da lei profissional do magistério, conhecida como lei do piso, que não é cumprida integralmente por parte dos gestores públicos

LAM - Você na condição de pesquisador na área linguagem, elaborou em 2007, o jogo pedagógico “Dominando a acentuação gráfica”. Fala a respeito das propostas desse jogo e quais as experiências e resultados encontrados.

Vejo que o lúdico está muito presente ao minha estrada. Quando elaborei o Jogo Pedagógico Dominando a Acentuação Gráfica pensei em propor algo que pudesse fazer a coesão dos estudantes com o conteúdo e como conseqüência a aprendizagem, numa perspectiva prazerosa. Acho que esse é um grande diferencial do trabalho com o lúdico. A princípio o jogo fez parte de uma atividade pedagógica, cujo resultado nos surpreendeu, pela dimensão que tomou e sua eficácia junto aos estudantes.
Inicialmente o Jogo pedagógico foi aplicado na Escola Estadual Dr. Pedro Afonso de Medeiros em Palmares aos estudantes da Educação Básica do 5, 6 e 7 anos do Ensino Fundamental. Há época a ação fora noticiada pela imprensa local escrita e falada. Destacamos a Emissora Rede Globo de Televisão de Caruaru fez uma reportagem sobre a aula com a utilização do novo método de ensino. Vários estudantes concederam entrevistas á emissora. Por outro lado, em Caruaru, na Escola Municipal Professor Machadinho também apliquei o jogo pedagógico na Educação de Jovens e adultos, que também foi noticiada pela Emissora SBT local.
Participei, juntamente com vários estudantes, da sétima edição da Bienal do Livro de PE em 2005, no estande da secretária de educação de PE, fazendo uma exposição prática do jogo. Com professores participamos do Ciência Jovem no Espaço Ciência em Recife. Apresentei o Jogo pedagógico na FAMASUL no show universitário. Realizamos uma oficina na X Jornada Pedagógica promovida pela escola Dr. Pedro Afonso. Participamos do Concurso Professor Nota 10 promovido pela Fundação CIVIT. Também concorremos ao prêmio Jovem Cientista. Além de apresentação na I Amostra de Atividades Exitosas, promovida pela Secretaria de Educação de PE.
O jogo é composto por quantas peças, semelhantes ao dominó. Tem peças com palavras, símbolos, números, e palavras. Vence a partida que conseguir colocar todas as peças primeiro, dizendo o jargão “dominei”. O jogo tem a finalidade de ser o elemento catalisador entre o estudante e a aprendizagem.
A jornalista Clarice Cardoso da Folha de São Paulo também fez uma entrevista conosco.
A seguir uma matéria publicada em Caruaru sobre o referido jogo:
*
Jogo faz os alunos aprenderem português se divertindo
Alunos de Caruaru e palmares participam do jogo de dominó que além de números também traz palavras e acentos gráficos.
  Não é difícil encontrar quem não goste de jogar dominó com a possibilidade de aprender as regras da língua portuguesa. Nas aulas de português Arantes Gomes do Nascimento é assim. Os métodos tradicionais de aula foram deixados de lado para dar espaço para um projeto inovador que faz os alunos aprenderem português e ao mesmo tempo se divirtam. Arantes criou o jogo “Dominando a Acentuação gráfica”, o jogo semelhante ao dominó traz números, palavras e suas nomenclaturas. O Dominando contém quarenta peças, vinte dessas com palavras e vinte com símbolos e números. Durante a partida os alunos encaixam as palavras nos símbolos que as identificam como proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas. Já as peças que contém números são como as do dominó tradicional.
A ideia surgiu há um ano, mas somente há um mês o Dominando está sendo utilizado em sala de aula. O professor Arantes explica que a inspiração para elaborar esse método vem de pesquisas em autores como Jean Piaget, Lev S. Vygotsky, Edgar Morin e Evanildo Bechara, que trabalham com a interação lúdica, inteligências múltiplas e o conhecimento da nomenclatura da tonicidade. “A parte gramatical, norma culta foi com Bechara. Piaget por conta dessa questão da memorização, a partir do momento que ele tenta memorizar aquilo ali várias vezes para poder ter conhecimento através da memorização. Vygotsky com a questão do relacionamento de grupo e a questão do lúdico. E Edgar Morincom a questão do complexo e do simples, contexto global e multidimensional”, conta Arantes.
  A atividade está sendo implantada na Escola Municipal Professor José Florêncio, em Caruaru e na Escola Estadual Dr. Pedro Afonso de Medeiros, em Palmares. Ao todo participam dessa aula trezentos alunos de quintas e sextas séries do ensino fundamental. Segundo o professor, o objetivo e acabar com o medo que muitos estudantes têm das regras da língua portuguesa. Tudo isso através de um jeito simples, jogando.
  As primeiras peças do jogo foram confeccionadas com papel, depois foram feitas com outros materiais como papelão e emborrachado. Agora um dos alunos resolveu colaborar com a ideia e está confeccionando novas peças artesanais de madeira. Os alunos se mostram empolgados com a apresentação dessas aulas. “Eu gostei. É muito bom porque não é só escrever, tem que brincar também”, fala Mônica Oliveira de dezesseis anos que estuda na escola. Não é diferente a opinião de Kleberson Antônio, também de dezesseis anos, que estuda com Mônica na Educação de Jovens e Adultos. “Achei esse jogo muito bom para desenvolver mais a aprendizagem na língua portuguesa, pra conhecer mais as sílabas e a acentuação. Também ajuda muito e ao mesmo tempo a gente se diverte”, diz Kleberson. 
Quem poderia imaginar que jogar dominó durante a aula de português desse tão certo. São ideias assim que ajudam o professor a perceber que acabou o tempo de decorar a gramática para aprender regras de português. “A gente tem que mostrar à sociedade que trabalhar com regras ainda tem jeito dentro dessa perspectiva atual”, diz o professor. Para atrair a atenção dos estudantes é preciso inovar, o importante é fazer com que todos estendam o conteúdo explicado, concluiu.
*Matéria publicada na Revista Em Sala como Conclusão de Curso, Nº 02- Ano 01-2007 Dez. Publicado no livro Diálogo em Prosa junho de 2017.

LAM - Em 2008, você criou o jogo “Desembaralhando Verbo”. Quais as contribuições pedagógicas dessa sua criação?

Então. O Desembaralhando Verbo seguiu a linha parecida com o Dominando. Há uma grande dificuldade por parte dos estudantes e também por parte dos professores em trabalhar e aprender o conteúdo de verbo. Daí eu pensei em algo que pudesse aproximar de forma prazerosa esses dois atores. Numa demonstração de que é possível sim criar jogos na disciplina de Língua Portuguesa e não somente em Matemática a área do conhecimento que tem jogos. No jogo, além de aprofundar o conhecimento sobre a estrutura do verbo aprende-se tanto em campo social da aprendizagem.

LAM - Você ainda atua como militante em movimento sindical, notadamente no segmento de educação, publicando, inclusive, o livro Comunicação sindical: uma interação dialógica entre direção e base, pelo SINTEPE, em 2015. Fala da experiência de produzir esta obra e a interação com a comunidade pegagógica.

O livro Comunicação Sindical uma Interação Dialógica entre Direção e Base nasceu como um produto das ações que são realizadas no sindicato e que na maioria das vezes a própria categoria não tem conhecimento. Num contexto de muitas críticas sobre o movimento sindical. Principalmente pelo comodismo das lideranças, que fadados pelo tempo, investidos no cargo ao qual foram eleitos, ficam acomodados, muitas vezes não permitindo uma oxigenação do quadro de dirigentes com a alternância do poder. 

LAM - Em 2015 você publicou pela Bagaço, o livro A Ética na Formação de Professores. Quais os propósitos da obra?

Este foi um grande desafio para mim. A Ética na Formação de Professores, nosso terceiro livro lançado no mesmo ano do Comunicação Sindical uma Interação Dialógica entre Direção e Base, homenageou in memoriam a então Gestora da Escola Estadual Dr. Pedro Afonso de Medeiros em Palmares, Mata Sul de PE. Ele nasceu de uma proposta pedagógica aplicada no Curso Normal em Nível Médio na referida escola. Era comum nesse tipo de atividade uma palestra para abordar o tema escolhido pela comissão. O que diferenciou a X Jornada que culminou em um livro foi justamente a extrapolação do conteúdo proposto em 11 oficinas pedagógicas todas com professores da escola, inclusive o palestrante, numa demonstração total de valorização e compromisso com o corpo docente, os estudantes produziram um memorial apresentando em sua narrativa a evolução acadêmica ao longo do curso, enfatizando os conhecimentos adquiridos na X Jornada Pedagógica.
Outro marcante para nós foi o falecimento precoce da então Gestora a professora Wildes Faria no primeiro sábado após o encerramento das atividades na sexta. Isso mexeu com todos nós da escola e comunidade escolar.
E ainda não para por aí. A outra tragédia foram as enchentes de 2010 , que levaram a escola ao chão. Com perdas irreparáveis, tanto no patrimônio físico quanto o humano. Todos os arquivos foram também levados pelas fortes correntezas que assolaram a escola.
Após vários anos desses fatos. Ao levar meu computador para o conserto, foram encontrados, parte do material vivenciado pelos professores e estudantes nas oficinas pedagógicas, durante a jornada. Então o livro é o resultado de tudo isso.     

LAM - Antes desses livros já falados, em 2008, você publicou Coerência ou incoerência. Quais os objetivos dessa obra e quais as experiências e resultados colhidos dessa sua proposta?

Verdade. Um livro é como um filho. Meu primeiro livro Coerência ou Incoerência nasceu do produto de minha monografia apresentada na Pós Graduação em Língua Portuguesa à FAMASUL – Palmares, cujo título foi Coerência ou Incoerência confrontos e similaridades. Nele destaco as várias concepções de língua, linguagem, texto e coerência ao longo várias décadas até o momento atual.
São reflexões sob a perspectiva teórico-científica que evidencia o conteúdo em várias correntes da linguagem: francesa, americana, inglesa, espanhola, alemã, dentre outras.
Nosso livro está na 3ª edição. Ele é dedicado aos pesquisadores da linguagem, serve de instrumento teórico para os vários pensamentos lingüísticos. Defendo a idéia de que todos os textos são, a princípio, coerentes sob a perspectiva da linguagem como forma de interação.

LAM - Você é vice-presidente da Academia Palmarense de Letras, ocupando a cadeira nº 5, cujo patrono é Artur Griz. Fala dos trabalhos desenvolvidos pela academia e que contribuições ela tem trazido para a população palmarense.

Isso mesmo Luiz Alberto. Estamos ocupando um cargo na Direção da Academia Palmarense de Letras como Vice Presidente, que tem como Presidente o escritor, dramaturgo, poeta e artista plástico Juarez Carlos.
Na primeira gestão da APLE fui Diretor de Publicidade e como tal publiquei o primeiro artigo de opinião em um jornal de grande circulação no estado de PE, Diário de PE, cujo título PNE, a Mobilização é Contínua, no caderno opinião, e em vários Blogues pelo Brasil. A seguir o texto:

*
PNE, a mobilização continua

Abordar a mobilização como premissa fundamental da classe trabalhadora para elaboração de documentos, no caso dos/das trabalhadores/as em educação, que visem à valorização docente como uma das dez diretrizes do Plano Nacional de Educação é desafiador.
No período de redemocratização, a Constituição Cidadã, como ficou conhecida, destaca a valorização dos profissionais do ensino, em seu artigo 206, garantidos nos Planos de Carreira para o magistério público, com piso salarial profissional.
Em 1996, com a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394 que definiu a valorização do profissional de educação escolar em seu artigo 3 e proporcionou um novo impulso à legislação educacional.
Doze anos depois, o então Presidente Luiz Inácio, o Lula da Silva sancionou em 16 de julho de 2008 a Lei n° 11.738, que instituiu o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Não cumprida, integralmente, pela grande maioria dos gestores públicos municipais e estaduais, até então.
Por fim, temos um novo PNE. Sancionado, sem vetos, pela Presidenta Dilma Rusself no último dia 25, após três anos e meio de tramitação no Congresso Nacional. Há no documento algumas melhorias para os professores: incentivo à formação superior na área de atuação, equiparação do rendimento médio ao dos (as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE e garantia de planos de carreira em todos os sistemas de ensino.
Contrários ao que diz a CF, muitos gestores públicos destacam a falta de recursos para financiar a educação pública, principalmente no que se refere à valorização desses profissionais. Mas hoje, esse quadro mudou. A destinação de 75% dos Royalties do Petróleo e 50% do Fundo Social do Pré Sal para a educação refletem a garantia do cumprimento das metas. Além disso, foi aprovada no documento a destinação de 10% do PIB para a educação. Por isso, o grande desafio agora é que estados e municípios elaborem seus respectivos planos de educação dentro de um ano e criem mecanismos para acompanhamento das metas, além de assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.
Portanto, defender a valorização docente no PNE como um processo é acompanhar o cumprimento, por parte dos gestores públicos, de cada meta estabelecida nos sistemas de ensino. Além de assegurar aos referidos profissionais momentos de debate e uma mobilização social contínua.

* Texto publicado no Jornal Diário de Pernambuco, Caderno Opinião, Recife PE, julho. 2014. Foi o primeiro texto publicado por um Membro da Academia Palmarense de Letras, recém reorganizada, em um jornal de grande circulação, à época ocupava o cargo de Diretor de Publicidade.
Disponível em: http//www.todospelaeducacao.org.br. PNE, a mobilização continua. Acesso em fev/2017.
Disponível em: http//www.amambainoticias.com.br. PNE, a mobilização continua. Acesso em fev/2017.
Livro Comunicação Sindical: Uma Interação Dialógica entre Direção e Base, páginas 62/63/64, 2015.

Nossa contribuição foi justamente a de divulgar para o mundo que a Academia tinha renascido novamente. E como Vice Presidente estamos trabalhando em conjunto com o Presidente da APLE e os demais Membros no sentido de divulgar ainda mais a Academia seja na apresentação/publicação dos livros ou nas atividades culturais promovidas pela entidade. Nosso último trabalho Diálogo em Prosa, por exemplo, fora lançado na 32º reunião da APLE, na biblioteca pública municipal Fenelon Barreto em junho do corrente ano, com uma singela homenagem aos trabalhadores da ferrovia – Rede Ferroviária do Nordeste. A seguir o meu discurso no dia do lançamento:    


Boa tarde a todas e todos!
Gostaria de saudar à mesa na pessoa do Nobilíssimo Presidente da Academia Palmarense de Letras – APLE, o Acadêmico Juarêz Carlos e demais confrades e confreiras aos quais saúdo com Amor, Paz e Harmonia e o Vice-Prefeito do Município dos Palmares Agenaldo Lessa o qual agradeço pela presença, meus familiares esposa, filhos irmãos e tias e os familiares de meu Patrono Artur Griz, RossanaGriz, à família ferroviária na pessoa de Eugênia e Josefa Nascimento, amigos e amigas de luta sindical na pessoa da professora Irene Lima, Ex-Coordenadora Regional, Meus Senhores, Minhas senhoras!
Agradeço a presença de cada um e de cada uma que no dia de hoje, 10 de junho de 2017 deixou sua vida quotidiana e veio prestigiar esta solenidade de Lançamento de Nosso quarto Livro Diálogo em Prosa, editado pela CBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores), cuja sede é no Rio de Janeiro –RJ.
Agradeço a Deus por ter me dado a coragem para não desistir por que os desafios são muitos ao longo da caminhada, desde a inspiração até chegar ao momento final com o lançamento do Livro.
Aos familiares e amigos que sempre depositaram em mim confiança para continuar produzindo textos coerentes.
Não poderia deixar de agradecer também aos familiares de meu Patrono Artur Griz, pelo incentivo em divulgar, eticamente, a vida e obras de seu parente.
Agradecer para mim é fundamental, principalmente a pessoas que fazem a diferença, principalmente quando se refere à conquista de um sonho, por isso destaco in memoriam José Inácio do Nascimento, Almir Gomes do Nascimento, Anderson Arantes Valença do Nascimento pela ação em dedicar horas de seu tempo à produção de memoráveis textos ora em prosa, ora em verso.
Agradeço ainda aos editores dos Jornais Diário de Pernambuco, Commércio e Folha de Pernambuco em Recife, Extra e Vanguarda de Caruaru, Do Interior e A Notícia de Palmares, pela publicação de alguns dos nossos textos, em especial Artigos de Opinião, ao longo de duas décadas e ao mundo virtual, com os blogueiros, internautas, pelas curtidas, compartilhamentos e comentários em nossas postagens, obrigado!        
Obrigado também ao Prefeito do Município dos Palmares o Exmo. Sr. Altair Júnior seu Vice Agenaldo Lessa por acreditarem nessa nossa empreitada intelectual a Edson Silva Presidente da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho que nos recebeu e conheceu nosso material ainda na fase embrionária.
Eu não poderia deixar de destacar neste momento ímpar para mim a Academia Palmarense de Letras – APLE na pessoa de seu Presidente Juarez Carlos, em acatar nossa proposta: fazer o lançamento de meu livro Diálogo em Prosa, na 29ª Reunião Ordinária da APLE, numa ação conjunta, com a apresentação da Biografia de Pelópidas Soares, Patrono do Acadêmico Eduardo Menezes, cadeira Nº 11
Obrigado, obrigado, obrigado!!

            Pensei que fosse céu!

Essa frase me chamou atenção na música de Vander Lee. Na canção, ele fala sobre os desencantos da vida e eu falarei de superação. Assim poderei tecer alguns comentários que julgo importantes sobre o árduo caminho que percorri até chegar ao grande dia de lançarmos ao mundo, um livro.
Iniciar um projeto para escrever, publicar e lançar um livro não é fácil, principalmente, quando você é da Cidade dos Poetas e dos Escritores, conforme LEI Nº 14.450, DE 25 DE OUTUBRO DE 2011 do Deputado Aluísio Lessa.
Escolher um tema para os textos que irão compor o seu livro, não também nada fácil, sobretudo por que você precisa antes de tudo, organizar as ideias sob a perspectiva da complexidade, não no sentido de ser difícil como trazem nossos dicionários, mas sim articulado, como é definido pelo dicionário francês. Dar um título ao livro é uma tarefa nada fácil também. Mas, se você usar os ingredientes da maneira correta, certamente, terá um bomtítulo, Extra e Vanguarda que o digam.
Contextualizar o produto de sua árdua pesquisa é gratificante, principalmente, porque você é da Cidadezinha Poética, Artigo publicado no Diário de Pernambuco e no Jornal do Commécio no mesmo dia, que alegria! E alguns dias depois no Vanguarda de Caruaru. Com esse artigo parabenizo a cidade por seus 138 anos de Emancipação Política, destacando uma dezena de nomes pelos quais Palmares ficou e/ou é conhecida. Além disso, ter como patrono, o autodidata, escritor, poeta, contista, cronista, jornalista, e ainda acrescento lexicólogo Artur Griz, cuja cadeira é a quinta, o qual escolhi por várias afinidades dentre elas estão a perseverança, pois dedicou mais de vinte anos de sua vida escrevendo uma Enciclopédia, num tempo em que metade da população era analfabeta, homenageando, “modestamente”, sua família, dando o nome a ela de Enciclopédia Griz, é desafiador.   Além de ter a cidade como final de linha da ferrovia, como fora descrito na Carta - nos enriquece -  para transportar a produção açucareira da região e outras mercadorias para várias capitais do país, como descreveu José Inácio. Tudo isso sob os olhares atentos dessa representação de ferroviários que estão aqui hoje, é majestoso. Aos quais homenageamos, nostalgicamente, com a canção Trem Azul do cantor e compositor Zé Ripe.     
Redirecionar ou redimensionar, por várias vezes, a estrutura, a forma ou até mesmo o conteúdo do livro, é estafante, mas que nos dignifica enquanto escritor versátil, como fui classificado, outrora por um crítico das artes. Pois precisamos inferir no texto para dele extrairmos a essência. E, fazendo uso do conhecimento partilhado, possamos adentrar no mundo textual em busca das pistas intertextuais para efetuarmos o cálculo da Coerência onde K (cohaerentia, em latim) é igual C de coesão elevado a quarta potência e assim entender o sentido do texto. Título de meu primeiro artigo que o JC, amplamente divulgou para o mundo, fiquei muito feliz! Assim o fizemos em três capítulos, que ficarão para os ávidos leitores descobrirem.
Permanecer com único título ao longo da finalização do livro é simplesmente marcante. Aqui neste trabalho, foram apenas quatro títulos até chegarmos ao atual.
Mas não são somente esses os desafios. Deixem-me contar-lhes. Quando penso que está tudo concluído vem a pergunta: Em qual editora publicar...Se se é da cidade dos Palmares, fica tudo mais difícil ainda. Foram necessárias quatro editoras para conseguirmos fechar a edição com uma delas, a mais distante.
Quando você fala com as pessoas de entidades ligadas a educação, cultura em apoiar seu trabalho, principalmente as que em discursos valorizam a cultura ..., as portas se fecham.
Depois de tudo isso vem o grande dia para o lançamento. Mas Meu Deus isso de novo!
E como se não bastasse toda essa caminhada sofrida vem esse pesadelo novamente e por não estarem todas concluídas as barragens de contenção, que foram prometidas ao povo, glut! glut! glut!
Novas enchentes. Sabemos que s já fazem parte do cotidiano do povo da cidade. Ela também foi citada no texto: O Menino da cabeça cortada.
Mas quero deixar registrado aqui, que para mim foi muito importante a parceria entre a Prefeitura Municipal dos Palmares na pessoa do Exmo. Sr. Altair JúniorPrefeito seu Vice Agenaldo Lessa e da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho através de seu Presidente Sr. Edson Silva pela autorização em colocar a chancela da Fundação no Livro Diálogo em Prosa, é animador!
Os obstáculos sempre existirão. Caberá a nós, portanto, o discernimento para vencê-los. Assim como a florzinha fez quando se sentiu ameaçada pelo besouro intrujão na Fábula o besouro e a Flor:
*
O Besouro e a Flor

Havia numa grande mata próxima à Cidadezinha Poética um belo jardim repleto de besouros e rosas. Eles conviviam pacificamente no lugar. Cada qual respeitava o espaço do outro.
Todos os dias pela manhã, quando o vento acordava, se repetia o movimento dançante das plantas que se moviam alegremente de um lado para o outro como se estivessem bailando ao ouvir uma sinfonia de Beethoven. Os amigáveis besourinhos faziam o mesmo. Até quando certo besouro resolveu mudar essa passividade. E antes mesmo das rosas desabrocharem o besouro atrevido, atraído pelo pólen das flores, descia sobre elas a fim de nutrir-se de seu néctar, como se fosse uma abelha impedindo que os beija-flores e as abelhinhas pudessem contemplar todo o seu esplendor botânico. Era um tempo de muita tensão para a flora daquele lugar. 
Um dia uma rosa ainda novinha, vendo o que acontecia com suas amigas, resolveu dar um basta nesse desconforto que atormentava as flores do jardim. Pois em breve também iria desabrochar para a vida e não gostaria que isso acontecesse com ela. Resolveu então conversar com o vento e com os espinhos que contornavam o caule onde elas estavam para ajudarem a pregar uma peça no besouro folgado e expulsá-lo uma vez por todas daquele belo jardim, que era assombrado todos os dias pelos ataques que o besouro barulhento fazia às delicadas rosas.
O dia chegou. Lá vinha ele: o carrancudo besouro. Pousando nas belas rosas – antes mesmo que elas abrirem-se para o mundo, completamente. Quandoelas menos esperavam, pousava em suas delicadas pétalas e roubava seu néctar, antes mesmo de ele estar concluído. E o que é ainda pior: contaminava o que sobrara, impedindo que o processo natural se realizasse.
Ao observar o besouro intrujão na rosa ao seu lado, a pequenina flor conclamou ao vento forças para que agisse, conforme o combinado, pois seria ela a próxima vítima daquele esfomeado inseto. E assim ele o fez. Soprou, soprou e soprou...
Quando o besouro abelhudo pousou de mansinho suas “patas” numa de suas pétalas–ainda suadas pelo orvalho – ela, juntamente com outros galhos de rosas balançavam-se ao som da oitava sinfonia, fazendo movimento uniforme para a direita e para a esquerda, de um lado para o outro, até o hóspede não desejado se desprender de parte suas pétalas e cair, escorregando, lentamente pelo caule, exprimido pelos espinhos que a cada balanço faziam questão de contribuir com o feito cutucando-o vagarosamente, até próximo do chão.  
Renovada, a florzinha exclamou:
- Jamais se deixe enganar pelo medo de tentar. O diálogo é a melhor maneira para a mudança de atitude!

* Esta Fábula nasceu quando comprei a Enciclopédia Griz em 2015 em cujas folhas amareladas pelo suor do tempo, traziam esmagados, um fóssil – besouro – ou um vegetal – flor - ambos empalidecidos pelo tempo.  

Como diz o título do texto: pensei que fosse céu, mas refletindo sobre tudo que fora apresentado aqui podemos dizer que ele é uma realidade.
Grande abraço a todos!!!
Obrigado!
Obrigado!
Obrigado

LAM - Quais projetos você tem por perspectiva realizar?

Embora saibamos da incerteza do futuro, tenho os seguintes projetos:
Na área da Educação ingressar no Mestrado em Língua Portuguesa. Continuar socializando os jogos pedagógicos junto à população estudantil na educação básica: nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, Dominando a Acentuação Gráfica e Desembaralhando Verbo, inclusive com a publicação de um trabalho científico sobre eles. Conclusão do quinto livro: A Aplicabilidade das Inteligências Múltiplas na Educação Básica, do sexto Palmares: em cada Canto um Conto e o Romance O Riso do  Beija Flor, Além do livro de Poesias A Coerência em Poesias.   É isso aí.

Veja mais aqui.



A POESIA DE FÁBIO DE CARVALHO


POEMA LIMPO

A tempestade permanece.
O vendaval aí está.
Mas eu permaneço.
Larga é a minha esperança.
Longa ainda será minha caminhada.
Inconcluso é este meu ser.
Peregrino ponteiro que olha adiante.
Mas para trás também se olha.
Não é preciso volver a face.
Fechar os olhos relembra.
Sente-se o peso dos passos sobre a terra.
O chão está aí para isso.
Como sempre estará.
Eu não deixo que a minha chuva cesse.
Não vai de mim este temporal que explode.
Acabo por ouvir-me no próprio vento.
E vejo que também sou ouvido por ele
do alto desta montanha, que sou eu...
A caminhada nunca terminará.
Sempre ando até mim e me abraço.
Sonho com a calma deste vento que me acompanha
concluindo que é em vão querer livrar-me.
Então paro na caminhada que é minha missão
mas logo vejo que também é em vão.
Devo ir sempre, como meus vendavais.
Vem e cura-me, tempo só meu.
Sinto que a palavra já não alivia.
Eu sou assim como o abstrato feito deste poema limpo...

CIRCUNSPECÇÃO

Meus olhares são sensatos.
Observo a sombra que transmito.
Vejo minha alma de perto.
Toco-a com minha visão.
A sabedoria dos meus olhos me convence.
Vejo em mim este brilho de alma natural.
A minha sombra que lembra escuridão
é a expressão mais intensa daquilo que sou.
Vago em meus brilhos sombrios.
Preciso do sol para iluminar essa aura que me acompanha.
Pondero tudo àquilo que chego a crer.
Preciso muito da resposta que o tempo guarda.
O juízo que aplico é de caráter consciente.
Busco na escuridão de mim uma luz de sabedoria.
Meu discernimento é como o de uma cachoeira.
Deixo que passe por mim tudo o que vier sem que eu seja pedra nem desvio.
Pertenço às coisas que meu semblante desconhece.
Mas se o tempo é surpresa que não tarda
e os meus dias não são meus e que passam logo,
hoje eu sou o que nunca fui, sem destino nem caminho estreito.
Meu discernimento é natural como alguma porta aberta.
Caminham até mim incertezas e solidão.
Mas quando o vento rodopia e enfim devasta,
recomponho-me como um vendaval sem rumo e guia.
A gravidade de me encontrar é algo simples.
Vejo-me, toco-me e reconheço-me.
Abraço-me, olho-me e juro que ainda não sou
o que devo ser e que julgo necessário.
Veio de longe o meu olhar, e por essas distâncias,
perdem-se largas interpretações da minha mente.
Vejo-me por fim, um eco agudo e de ano-luz.
Sinto-me enfim, semente plantada, mas sempre em busca...

VENDAVAL

O vento se dissipa,
mas eu sou o próprio vento.
Vai de mim longa tempestade!
Vago vendaval humano...
Cai uma chuva de brasa.
O vento se transforma em melancolia.
As minhas incertezas, todas se diluem.
Sou eu o vento em brasa.
Sou eu brasa humana quase apagada.
A minha indecisão é olhar este sol
que hoje não quis sair.
Vejo-me como esta nascente
sem hora de talvez, surgir...
A orla já não existe.
Sou eu a própria orla.
As minhas ondas se desvaneceram
como esse dia que se foi.
O clamor da noite já se prepara.
Anoitecer de poente triste
é o meu coração talvez jazido
em lápide florida em lodo.
Eu, o vento longe, vago...
...fui-me talvez sem horizonte
a refazer-me, a recompor-me.
Fiz-me a cinza, o pó, a bruma
para renascer da alta chama...

FOLHA

A liberdade é uma folha que caminha.
Vai-se pelo chão, empurrada pelo vento.
Eu também me vou.
Mas o vento não me inspira.
A folha é quem me desperta a liberdade.
É-me natural ver a liberdade de uma folha.
As folhas são livres!
Mais livres do que muitos homens independentes.
Eu não possuo a liberdade de uma folha,
mas eu caminho contra a direção dos ventos,
guiando meu próprio destino.
Por trás desse gesto natural eu me disperso...
...e fico a procurar fora de mim
um sentimento natural
que não seja trazido pelo vento.
O meu caminhar é sempre contrário.
Mas eu não caminho contrariando-me.
É por isso que eu não me rastejo
como a folha que o vento leva.
Eu sigo caminhando
contra ou a favor dos ventos,
desenhando o meu destino,
com ou sem emoção.
É mais uma folha que eu escrevo
e que este vento não leva.

DECLIVE

A montanha não se move,
e eu me encontro aqui
contemplando este monte, sem pressa.
Ponho-me a imaginar a montanha se movendo.
[ A montanha sou eu. ]
Do alto dela vejo-me contemplando-a.
Minha cabeça é o alto deste monte.
Daqui do chão vejo sua altura.
Vejo que a montanha também é chão.
[ Então piso-me levemente. ]
Se eu chego ao monte alto,
sinto o vento mais forte.
Mas se fitá-lo de baixo,
mais forte é a minha emoção.
[ Quero escalar-me. ]
Se eu paro no meio do monte,
paro em mim mesmo,
sentindo-me percorrido,
vendo-me na própria distância.
[ Desejo caminhar até mim. ]
Diante de mim
vejo-me no monte.
E diante do monte,
vejo-me nele próprio.
[ Sou este eterno monte que desejo escalar. ]

AVE

O meu nome é liberdade.
Eu sou aquela ave que submerge as nuvens.
Assim saem de mim as prisões celestiais.
Os meus voos confundem-se com as minhas livres caminhadas.
Mesmo sem que os meus braços
transformem-se em asas
sinto-me nas alturas
em elevação humana.
Assim mais próximo deste firmamento
sinto-me divino na humana maneira de imaginar.
Vejo que sou livre e que no alto eu me encontro.
A cada metro deste chão reafirmo-me mais seguro.
Do alto, sou uma ave que vaga e que busca
no céu, o chão da liberdade que sobrevoa.
Eu fiz uma trilha que é o meu “caminho-firmamento”.
Não vago triste,
pois sou este que se liberta.
Surge de mim a vastidão livre do mundo
enquanto voo neste meu sonho precioso.
Do chão busquei asas
que me fazem ser sempre mais.
E sendo mais, creio que há mais para ser.
Clama de mim verdadeiro desejo de ser livre.
Nos céus eu me ponho em liberdade que se renova.
É vasto o tempo e imensa a minha busca.
É livre o meu pensar
que encontra aquilo que me completa
e me renova,
pois tenho asas que me liberta.
O céu é largo, mas ínfimo à liberdade.

VAPOR

Eu sempre me desfaço como a água.
Sempre escorro pelos lugares mais dispersos.
Faço-me um lago de fendas sem rumo.
Adentro o chão e evaporo para o céu.
Abro meus braços como as asas de uma águia.
Tenho olhos visionários, talvez, como os de um falcão.
Preso no céu a terra parece evaporar-se.
A cada longo caminho, a caminhada se renova.
Deixo para trás tudo aquilo que me desfalece o espírito.
Sinto que um dia ele fará como as águas.
E evaporando para os limites dos céus,
encontrará no vapor etéreo, a graciosidade do desconhecido.
Vingam em mim contemplações da mente humana.
A cada marcha, largo pelos caminhos minha essência e suor...
...que se evaporam.
Contudo, a mente prossegue,
mesmo tendo as pernas amarradas.
Submerjo meus olhares nos atos neutros.
Neutralizado, penso em desvanecer-me enquanto há tempo.
Mas o tempo também se evapora
e com o passar dos dias, eu evaporo como o tempo.
Espero sempre que a minha alma se recolha.
O silêncio também dissolve em bolhas, em ar quente, meus pensamentos.
Mas sempre que um pensamento se esvai,
logo um outro chega, e sem que eu perceba, ele se evapora.
Eternamente, as minhas conclusões são feitas de vapor.
Logo que as retiro de mim ou das coisas, perco-as.
E enquanto vejo-me, assim, disperso como a folha seca que cai da arvore,
concretizo meu dia como o canto de um pássaro quando acaba.
De contínuo, como tudo se perpetua, sigo atravessando com os dias, ideais.
Prontamente, concluo-me como um calendário passado.
Logo tenho a certeza que fui vapor, e ainda assim, evaporarei...
...como o gás emanado da metamorfose da água.

ARTE

Eu sempre desenho a vida escrevendo.
Mas para isso eu devo sentir-me vivo.
Desconhecer a vida em si não é tarefa minha.
Por isso eu não pinto a vida.
Eu escrevo-a vivendo intensamente.
Jamais coloco fatos nas páginas do meu destino.
Ele representa para mim
um desenho natural.
Nunca rabisquei um dia
Ou uma semana para vivê-la.
Por isso eu crio a obra executando-a
como quem fala sem meias palavras,
como quem vive, vivendo...
Esta obra composta por mim
é a minha existência vivida profundamente.
Meu gesto mais forte em vida é compor.
O meu ato maior, o cerne em si de viver.
Viver para mim é sentir-se vivo,
achar-se pleno, ver-se no amanhecer,
que renasce, ressurge...
...como se um sol vivo dentro de si explodisse.
Nunca reprovei um gesto meu de criação.
A vida para mim é uma constante poesia.
Uma arte derradeira que renasce a cada ato.
As minhas ações não perecem quando findam,
pois de pronto surge um novo ato
fazendo renascer a vida nova
diante de mim e de tudo mais...

DESENHO

Descrevo-me como a natureza.
Ela faz o sol se pôr.
Eu me ponho em muitos lugares
e concluo que não brilho como o sol.
Sempre observo a noite vertendo escuridão.
Estrelas rompem a penumbra celestial.
Madrugada serena origina o silêncio.
Mas interrompo o silêncio com a poética que emana
do meu silêncio-metamorfose.
O amanhecer me abre os olhos.
A luz do dia ergue-se me erguendo.
E enquanto a fome encoraja passarinhos a voarem sem destino,
vou acordando os meus dias.
E com todos já traçados,
não há como descarregar deles, incertezas,
para redesenhar o esboço da obra,
e deitar sobre a moldura, recompostas pinceladas,
com iguais  cores, mas de profusos sentidos.
Calma é sintoma quando a alegria de algum dia me invade.
Mas a alegria dos dias sempre existirá.
E é para todos.
E me define, como qualquer tristeza,
que carrega o sintoma que também desenha
e redesenha qualquer um que se faça triste,
ao inquietar-se, em tormento,
ao abrandar-se, quando sossega.
É justo desenhar-se.
Redesenhar-se é retidão.
Ainda a natureza, igualmente, é mutante,
em ascensão e declínio,
configurando-se por direito
no declínio ou na ascensão.
Somos natureza, que precede e incide,
letárgica e ressuscitada.
Natureza humana e Santa Natureza
a quem o mundo glorifica e profana.
Cultivemos seringais!
É preciso coragem!
Todos nós precisamos de borracha...
Eu caminho em direção ao tempo,
Mas recuo.
Abro a janela do destino,
buscando-me a cada dia, procurando conhecer-me,
inconscientemente.
O lado oposto da estrada
é o meu lado do coração.
A reta contínua do destino confunde-me,
mas prossigo.
Vejam: há adiante caminhos eternos.
Todos eles me constituem.
Por isso percorro-me.
Sou de profundeza singular e de caminhos plurais.
O mesmo eu reproduz-se.
Mas insurgem de mim vastidões de egos.
Sou as estradas que percorro,
a curva, a reta,
as direções sem fim...
Eu sou o destino.
Sempre perto, sempre longe.
Alegre e triste.
Acontecido e para acontecer.

ESPERANÇA

A noite decai sobre mim.
Mas eu sou a própria noite.
Abandona-me, escuridão celeste.
Vasta inquietação humana.
Hoje a tempestade não veio.
Mas a correnteza continua seu trabalho.
O ponteiro não para, seu ato é externo.
E a minha sombra continua e me acompanhar.
O vento também semeia do céu as aves.
Esta é a sina de cada estação.
Existir não é uma questão de querer.
Ouvir-se é o primeiro passo.
O farol do meu templo é de grandeza perpétua.
Portas se abrem com a arte de sonhar.
É intenso partir sem olhar para trás.
Cada pedra existente é o desenho da esperança.
Busco em um outeiro o reflexo da luz do meu horizonte.
Mas sei que logo o ocaso voltará.
Cada circunstância da vida deixa resquícios atemporais.
Por isso a estrada é o espelho de toda caminhada.
Cada gesto da natureza é uma metamorfose constante.
Por isso chove e eu sei que sou a própria chuva.
Cessa e deixa-me, vendaval dos tempos.
Faz-me folha livre, mas que o vento não me guie.
A escultura de cada estação é feita de destino.
Descobrir-se na escultura é achar-se arte humana.
Amanhece em mim a expressão do pensador
me eternizando como o mar que não evapora.
Não há retorno de tempo. Tudo é chama.
Cada dia que surge é uma passagem derradeira.
Ser e estar são o mesmo que ouvir-se e existir.
Verte-se o vapor que a expressão dos olhos lança.
O futuro estar no agora que será qual folha que vento leva.
É ilimitado este presente que se procria.
O princípio deste agora é o que se vive.
“Esperança não é vir, é não dissipar-se quando for...”.
Mas a noite se debruçou.
Sinto-me por fim essa escuridão.
Mas logo serei o intenso amanhecer.
Infinita luz de vida humana...

TEMPESTADE

Despedaça a tempestade.
E eu escorrendo.
Anda em mim terremotos,
chuvas, imagens
deste céu que aniquila
trovões...
Relampeio na solidão noturna.
Vejo meu brilho que rasga o silêncio.
Sou a luz que se esconde.
Sou a voz que não fala.
Vendaval de dilúvio que se prepara.
Gotas temporais saem de mim vorazmente.
Meu segredo é saber ser esta tempestade.
Algo diz que meu céu só desaba desgosto,
que de mim despontam tufões e extensas ventanias.
Por fim cessa a tempestade.
Cessa porque preciso dormir.
Estanco estes invernos estrondosos
sempre que choro-me.
E quando minhas lágrimas sustam
esta tempestade,
este eu-temporal se esvai.

EU, DENTRO DE MIM...

...mas eu vago na noite que é longe e que passa.
Esta é a natureza das coisas.
Passo por esta noite como o vendaval.
E fico na memória de um só dia.
Não me sinto chama como o fogo alto.
Basta-me a liberdade de andar em meu declive.
Sou substância humana que não cessa
como este vento que traz tempestades.
O que pensar diante do próprio ego?
Dentro de si nem sempre nos achamos.
Perder-se do próprio ser é sempre a pior tragédia.
Prisão não é estar preso é não querer ser livre.
Mas mesmo sendo peregrino,
- “o caminhante de cada estação” -,
encontro em mim meu eu em liberdade
capaz de ser meu principio eterno,
terno ser, de começo sem fim...


FÁBIO DE CARVALHO - Poemas extraídos da obra Poema limpo: eu, dentro de mim (Amazon, 2017), do poeta, historiador, professor, arte-educador, compositor e músico Fábio de Carvalho Maranhão. É idealizador do projeto Lançando Poetas, desde 2010, com lançamento de 16 poetas na antologia Um tiquinho de cada (2010), e 31 na antologia Palavras da Vida: poemas que ensinam a viver (2010). É editor dos blogs Poeta Fábio de Carvalho, A crônica da semana & outras prosas & Toda Opinião. Veja mais aqui.