LUIZ ALBERTO MACHADO

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terça-feira, agosto 25, 2015

CLAUDIA TELLES, UMA ENTREVISTA


CLAUDIA TELLES é uma estrela lindíssima, daquelas que brilham para satisfação do nosso coração. Além disso, é uma excelente intérprete. E, também, compositora. Uma artista admirável, não bastando ser quem é: filha do violonista Candinho e da cantora Sylvinha Telles. Era eu adolescente ainda quando ela embalou meu coração com suas canções no topo das paradas de sucesso. Curti seus discos e muito fui embalado por sua voz acolhedora e sua interpretação cativante por tardes e noites inteiras, acompanhando detidamente cada faixa dos seus discos. Era uma viagem que eu não fazia a mínima questão que findasse, tanto que eu retomava a todo instante, deixando-me levar por seu encanto artístico. Não haveria como ser de outro jeito: virei fã e fiquei a vida inteira esperando uma oportunidade para manifestar minha gratidão pela emoção com que recheou minha apaixonada condição de enamorado por sua voz, sua interpretação, seu talento. Chegou a hora e eu digo: Cláudia, muito obrigado por você existir.

Achando pouco, ainda inventei de perturbá-la com proposta por uma entrevista. Não ia perder a oportunidade, ia? Mandei ver. E Cláudia gentilmente, concordou. Quase lasco o quengo no teto de tanto espalhafato. Era um fã com direito a ter acesso ao mundo do ídolo. Verdade! Com o riso no coarador, sapequei as perguntas que ela, simpaticíssima e generosamente concedeu.

Com vocês, Claudia Telles numa entrevista exclusiva.

LAM - Cláudia, com você evidentemente que seria desnecessário começar pela pergunta que frequentemente gosto de abrir as minhas entrevistas, tendo em vista ser filha do violonista Candinho e da memorável Sylvinha Telles, além de afilhada do não menos honorável Aloisio de Oliveira. Mas vou correr o risco e, como de praxe, pergunto: como foi seu encontro com a arte?

Meu encontro com a arte foi puramente ocasional, apesar de sempre cantar, compor, estar metida em teatro no colégio e audições de piano. Fui estudar num colégio onde estudava a Marizinha do Trio Esperança, fizemos amizade, comecei a trabalhar com eles em vocais para outros artistas, me chamaram para gravar "Fim de tarde" e eu estourei!

LAM - Por ter nascido no ambiente que nasceu, quais as influências trazidas da infância e da adolescência na formação da proposta de seu trabalho musical?

Na verdade eu vim fazendo um trabalho completamente diferente da minha criação musical, embora minha mãe fosse bem eclética em termos musicais, quando me apaixonei pela Soul Music, ela já não estava entre nós. No meu primeiro lp a maioria das canções eram soul music, mas regravei "Dindi", clássico da Bossa Nova na voz de mamãe, "And I love her", dos Beatles, e composições minhas.

LAM - O seu primeiro grande sucesso foi "Fim de Tarde" de Mauro Motta & Robson Jorge. E depois, da mesma dupla, "Eu preciso te esquecer". Com foi essa experiência de frequentar o topo das paradas de sucesso?

Pra mim foi um susto, quando gravaram comigo foi a título de experiência e nem eles nem eu esperávamos que virasse o sucesso que virou e que ainda toca até hoje. Na época eu fui a única artista com dois sucessos nos primeiros lugares das paradas de sucesso, eu até hoje não entendo direito o que aconteceu comigo, era muito garota, sozinha, sem ninguém que respondesse por mim.

LAM - Vasculhando seus álbuns, a gente encontra que você também é compositora. Fala a respeito do seu trabalho de composição.

Componho desde garota, gosto de escrever, e as vezes uno os dois, tenho bastante coisas composta por mim, algumas com parcerias, mas a maioria são minhas sozinha. As vezes passo muito tempo sem compor nada, mas quando a vontade vem sai uma atrás da outra.

LAM - Acompanhando sua carreira, você transitou pelo soul, bossa nova, baladas, músicas que foram temas de novela, além de fazer releituras de Nelson Cavaquinho, Cartola, Vinicius de Morais, Tom Jobim, dentre outros. Como é trafegar por caminhos díspares mas que, com certeza, são complementares, no tocante ao trabalho da intérprete e compositora Cláudia Telles?

Como você mesmo disse, no trabalho da intérprete. Me considero uma intérprete, então me dou ao direito de cantar coisas que acho bonitas independente de estilo musical, desde que combinem bem com minha voz.

LAM - Em 1995, você foi premiada como a melhor cantora no Prêmio Sharp. Fala a respeito deste e dos prêmios que você já arrebatou.

Na verdade não fui premiada, fui indicada, o que pra mim já foi uma honra, já que eu concorria com Sandra de Sá e Rosana, as duas completamente estouradas em rádio e tv e eu absolutamente sem mídia nenhuma. Prêmios já ganhei muitos, é muito bom ter um trabalho reconhecido.

LAM - Como você está vendo a música brasileira de hoje, principalmente no que a gente ver no rádio e tv depois do advento da internet e da democratização de acesso contra o mercado fechado dos meios de comunicação? Há algo de novo? Ou, a seu ver, esse caldeirão todo tem algo de bom para mostrar da música brasileira?

Sempre tem coisas boas, pena que as oportunidades hoje em dia são muito poucas, ou você tem grana pra fazer uma mídia em seu trabalho e aparecer ou vai eternamente no trabalho de formiguinha. A internet nesse ponto facilitou as pessoas de buscarem por seu artista e não ficarem dependendo única e exclusivamente do que as rádios e tvs querem mostrar.

LAM - E você que nasceu no universo musical efervescente, que comparações ou comentários faz daquela turbulência com a não menos trepidante realidade atual da música brasileira?

A grande diferença é que antes a coisa era muito mais humanizada, as pessoas se curtiam, se ajudavam, se encontravam toda hora. Hoje basta um sucessozinho e as pessoas se isolam, camarins separados, fazem questão de não se misturar, é dessa forma que eu vejo.

LAM - Quais são as suas perspectivas com o universo musical?

Sinceramente não sei o que esperar não, de coração.

LAM - Quais os projetos que Claudia Telles tem por realizar?

Estou com 3 projetos em mente esperando apenas o principal, dinheiro pra entrar em estúdio, um é regravar as coisas de meu pai Candinho, que são lindas e merecem que as pessoas conheçam melhor suas composições, outro é um cd infantil onde criei as histórias, os desenhos e as canções, e ainda um cd meu, com composições minhas e de amigos, inéditas misturadas com músicas da década de 70, que adoro!

PS: Entrevista concedida em 2007. Veja mais aqui e aqui.