LUIZ ALBERTO MACHADO

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quarta-feira, fevereiro 25, 2015

JOYCE CAVALCCANTE


JOYCE CAVALCCANTE – Importante escritora cearense, Joyce Cavalccante tem confirmado seu talento no cenário literário brasileiro e desenvolvido trabalhos em prol da literatura brasileira. Alguns anos atrás ela concedeu uma entrevista para o meu Guia de Poesia que reproduzo aqui.

LAM - Como a Literatura chegou até Joyce Cavalccante?

JC - De forma legítima como todos os amores a primeira vista. Eu já sabia que iria viver literatura desde a primeira redação escolar. Quando chegava o dia da aula de português eu exultava de alegria. Era uma excitação cheia de sensualidade, faces coradas, coração aos pulos e inquietude. Só muito mais tarde, quase hoje, que aprendi ser o mesmo o chacra da criatividade e o da sensualidade, ou seja, essas duas emoções dividem o mesmo espaço energético. Aliás, diga-se, essas duas coisas são de extrema importância para minha felicidade e realização como ser humano.

LAM - E os primeiros escritos, os primeiros passos, como ocorreram?

JC - Assim mesmo. Na escola. Comecei ganhando concursos de redação e pra mim isso nunca foi importante. O que eu queria mesmo, como ainda quero é emocionar com minha narrativa. Quero buscar dentro de cada pessoa as preciosidades que elas nem suspeitam possuir. Quero encantar. O que mais mexia comigo eram as redações. Eu estava sempre narrando algo, descrevendo o que via; mas depois, quando aprendi metrificação na escola, resolvi ser poeta. Cometi algumas poesias, é verdade, mas logo logo voltei ao meu estado natural: a prosa. Eu tenho uma irmã que nesse tempo estava fundando um grupo literário com alguns colegas de faculdade, o Grupo Literário “Sim”, que até hoje é uma referência importante na literatura cearense. Eu, ainda menina, ficava ali escutando as discussões do pessoal. Ficava querendo me meter na conversa, mas me continha com medo de ser rechaçada por ser criança. Mas certa vez, não me contive e quando acabou a reunião eu chamei um dos membros do grupo, o Pedro Lyra que hoje em dia é um grande crítico e poeta conhecido nacionalmente, e confidenciei-lhe que havia escrito um poema. Pedi-lhe para que lesse e dissesse o que achou. Ora, O Pedro não só leu como publicou no jornal “O Povo”, de Fortaleza, o poeminha ingênuo de autoria da menina escutadeira de conversa dos adultos. E foi assim que tudo começou.

LAM - Que avaliação você faz de toda a sua trajetória até o "Cão Chupando Manga"?

JC - Hoje eu vejo que não carecia de ter tido tanta insegurança ou dúvidas. Tudo iria acontecer de qualquer forma. Mas a gente é sempre assim: descrente, ansiosa. Eu não faço exceção. Todas as vezes que estou escrevendo algo sempre acho que nunca estará suficientemente bom, até que um dia fica do jeito que eu gostaria. E é só assim que eu libero um original pra publicação. Eu sou daqueles autores que desconstrói para construir. Fico na lida o tempo todo, mexo muito no texto, limpo, limpo, limpo. Escrevo e reescrevo quantas vezes forem necessárias porque escrever mediocridades, coisas imperfeitas, ninguém merece. No mais, a trajetória foi essa: uma letra em seguida da outra formando frases que se ligaram em parágrafos que se ligaram em textos literários. Belos, senão não os assino

LAM - Você vem arrebatando prêmios ao longo da carreira. Como isso tem contribuído para a receptividade do público ao "Cão Chupando Manga"?

JC - Deixe de exagero, poeta. Eu não venho arrebatando prêmios assim a torto e a direito, não. Mesmo porque eu nem participo tanto de concursos. Ganhei uns reconhecimentos, foi só. Na verdade o maior prêmio da minha vida foi o encantamento que o “Cão Chupando Manga” provocou no coração daqueles que o leram. Foi um arraso geral. Todos os leitores desse romance quiseram interferir, modificar, escolher um destino para tal e tal personagem, reclamar. Todos se tornam coautores, e a meu ver essa é a finalidade de um livro. Só assim uma obra artística se completa.

LAM - Como foi escrever o "Cão Chupando Manga", aproveitando para que você indique onde ele pode ser encontrado pelo leitor internauta?

JC - Bom, escrever o "Cão Chupando Manga" foi um suplício, pra ser mais precisa. Foram três anos de trabalho diário e ininterrupto, pois é assim que se faz romances: sentada em frente ao computador sem se dar tréguas. Enquanto isso os personagens me atormentavam se intrometendo na minha vida, me pedindo dinheiro emprestado, atrapalhando meus namoros, sujando minha cozinha e me assustando com seus pesadelos. Eu tinha uma ideia para onde deveria ir mas não sabia se ia chegar. Mas no fim tudo deu certo. Tudo deu certo. Quanto a indicar aonde o "Cão Chupando Manga" poderá ser encontrado, tenho a dizer que ele está bem distribuído e pode ser encontrado em qualquer livraria física. Como toda livraria nos dias de hoje faz vendas online, no site das referidas livrarias logicamente terá o "Cão Chupando Manga". Mas se quiser uma indicação mais direta, pode procurar na livraria REBRA.

LAM - Qual a sua visão sobre a Literatura brasileira atual? Que destaques você pontua?

JC - Acho difícil julgar. É uma tarefa que não me atrai. Mas gosto de ler principalmente romances e novelas. Tenho lido boas coisas de Ana Miranda, de Roberto Drummond, de João Ubaldo e outros colegas. A poesia contemporânea ainda não me cativou, mas talvez seja porque eu tenho o gosto muito clássico. Talvez até eu esteja perdendo muita coisa. Gosto de ler, isso sim. Não fico um minuto sem um livro na cabeceira.

LAM - Como você encara o processo editorial convencional mediante o advento da Internet?

JC - Uma coisa não tem nada a ver com outra por isso não dá pra comparar. O processo editorial do livro impresso é uma coisa totalmente diversa da publicação online. Um livro de papel é um objeto de arte, concreto, palpável; uma publicação na Internet é volátil como uma boa ideia. O livro físico sempre existirá. Há uma enorme camada da população que não passa sem ele, eu sou um exemplo disso. Quanto a publicações virtuais não sei responder já que nunca li nenhuma. Não me atrai ficar sentada diante de um computador lendo um livro. Pobre da minha coluna. Pobre do meu juízo. Mas uma coisa eu garanto, a Internet auxilia muito na divulgação de um livro, Isso sim. Considero que ela é hoje um instrumento de primeira necessidade ao mundo das artes e do intelecto. De qualquer forma essas minhas afirmações tem um certo prazo de validade. Vamos ver como as coisas irão se situar no futuro.

LAM - A Internet tem contribuído para a difusão da Literatura e o hábito da leitura?

JC – Sim. Acabei de afirmar isso. Tem sido de grande auxilio usar o poder de penetração da Internet para movimentar o mundo literário. Dando um exemplo simples: eu mantenho um site de referência na rede: http://www.JoyceCavalccante.com Nesse site estão todas as informações que uma pessoa, um estudante ou um estudioso, precisa para desenhar um trabalho escolar sobre a minha literatura. Após visitá-la totalmente, sobre muito pouco a perguntar, resultando em grande facilidade para a divulgação de meu trabalho. E isso tem me dado muitas gratificações. Também convites e avisos sobre novas publicações são melhores distribuídos e menos dispendiosos se usarmos o meio eletrônico. Grupos de interesses em comum se formam, poetas trocam poesias e namorados promessas. É uma festa essa rede. Eu fico feliz em estar nessa festa.

LAM - De que forma a REBRA tem contribuído para a difusão e o desenvolvimento da Literatura Feminina Brasileira?

JC – A REBRA inteira é movida por essa ideia. Alguns de nossos princípios são: Divulgar as obras das associadas nacional e internacionalmente, por meios eletrônicos e convencionais; manter viva na memória cultural brasileira as obras de nossas escritoras já falecidas, divulgando a história da literatura feminina do Brasil; desenvolver projetos literários tais como; cursos, encontros, simpósios, concursos e congressos, assim como promover publicações visando as finalidades acima descritas; criar em parceria com a iniciativa privada ou com órgãos governamentais, no âmbito nacional ou internacional, mecanismos que estimulem o mercado da literatura feminina em particular e da literatura em geral; expor a literatura brasileira feita por mulheres para o mundo inteiro, com o objetivo modernizar e globalizar sua divulgação para o mercado literário; fazer valer os direitos da mulher escritora a um tratamento justo e igual ao dos homens escritores entre outras coisas. Temos cumprindo ao que nos propomos e por isso que nesses 4 anos de vida podemos dizer: a REBRA foi uma ideia que deu certo.

LAM - Que projetos a Rebra tem desenvolvido e a desenvolver?

JC – As principais iniciativas nossas foram: as home pages trilíngües para cada sócia e suas consequentes apresentações virtuais para um universo bem largo de endereços eletrônicos. O SER-Selo Editorial REBRA e agora a Livraria REBRA. Além disso a participação em feiras nacionais e internacionais com exposição de livros e a presença de associadas. Tudo isso ajuda e muito a fazer a voz da mulher brasileira ser ouvida e respeitada. Mas reconhecemos que ainda há muito a fazer e faremos. Ora se faremos.


Veja no Guia de Poesia aqui.