quarta-feira, maio 16, 2018

FESTIVAL INTERNACIONAL PARATY EM FOCO

FESTIVAL INTERNACIONAL PARATY EM FOCO – Acontecerá entre os dias 19 a 23 de setembro de 2018, na exposição da Praça da Matriz, em Paraty – Rio de Janeiro, o Festival Internacional Paraty em Foco (PEF), destinado para fotógrafos, artistas, praticantes e amantes da fotografia. As inscrições estarão abertas até 31 de julho e maiores informações aqui.


terça-feira, maio 15, 2018

50 POEMAS ESCOLHIDOS PELO AUTOR, VITAL CORRÊA DE ARAUJO


À

À túnica de relâmpagos do céu
À brancura das almas cruéis
À casa, a seus voos azuis e velhas levezas rasantes
Às pastosas geometrias da morte
Aos impunes precipícios do sono
Ao céu, intenso terraço de estrelas e pesadelos
Aos vícios redibitórios
Aos pecados occipitais
Ao tempo, a seus alentos e sopros supremos
Aos desertos do amor
À melancolia dos leões
Às piras onde crepitam césares
E assam títeres sul-americanos
Imersos em cremes pantanosos
Aos escombros de mim mesmo
Ao mar palpitante de gaivotas
E seus horizontes de albatrozes
Às negras ondas que curam areais
À lembrança das mobílias estraçalhadas
Pela lâmina das horas passadas
Nas alamedas do teu rosto.

(CORAÇÃO, CORAÇÃO)

É uma ficção covarde
O coração:
Frágil taça de emoção
Vaso de fecundo olvido
Terra inútil músculo baldio
(ao homem oco
e aos desafinados
corações humanos)

ENTERREM MEU OLHOS

Enterrem meus olhos longe das ciladas do tempo
Perto das estrelas, entre esferas e mosaicos do céu
Ou na cerâmica do horizonte, além das gaivotas.
Que eles não ouçam rumor a vermes
Nem úmeros deteriorados ou meu coração
A devorá-lo eternidade de gusanos
E meus inúmeros neurônios dissolvendo-se
Poça putrefata, ásperas secreções em debandada
(estirando-se pela caixa craniana como rio escuro)
O crânio empapado, silêncio absoluto
Ecoando nas frias fímbrias do meu cadáver
(a voz de algum verme deglutida pelo silêncio insuperável).
Enterrem meus olhos lá no Olimpo
Entre harpias e quimeras
Perto do lado mais alto
Longe da náusea terrena
Nos planaltos que vivem além do poente
Nas montanhas entrincheiradas no infinito
Enterrem meus olhos perto das estrelas
Longe do tempo, da sarjeta das horas e deixem
Meu coração arruinar-se
No banquete escatológico
As vísceras na cova abandonadas
Entregues à sanha dos carnívoros sais da terra.
Enterrem meus olhos no amanhecer.

POEMA DE LINHO

I
(tecelua)
Árduo urdume cravo
No verde corpo do agave
Na trama da palavra ergo
Ditirambos embriagados
No sono da cambraia tramo
Sonhos de cetim alado.
II
(soltecer)
Ergo monumentos de bramante
Estátuas jeans
Com o índigo da vida estampado
Na alma brim

A FUGA DO ROSTO

Narciso se contempla absorto
No amante que o aquoso
Espelho cria da matéria
Formosa do seu rosto
Ao beijar-se vê o lábio
Trêmulo da água ao sopro
Do amor mover-se como
De si fugisse a face
Ao suspiro de Narciso
Se encrespa a água
E a imagem amada
De si mesmo se estilhaça.

DEO GRATIA

Pastoreias meu coração, rumas-me ao sono entre estrelas
Em teu rosto bebo a redenção, teu nome redime meu destino
De sete cintilações é fecundo o rumor materno
O brilho da tua face iluminou-me o berço
Tu velas-me a existência, a alma acalmas, aplacas0me o medo
De aconchego e concha é feito teu corpo.
O linho de tua sombra me acalanta, de sonho
Guarneces-me inteiro e puro contra as máculas do tempo.
És claridade e flor, mãe minha, meu amor.
Vim de tuas águas, cálidas e límpidas, deste-me a vida.
Ser me tornaste, de tua seiva vim, sou teu sumo.
Graças a Deus, Deográcia, sou um dos teus poemas.
Vim de tuas entranhas, tão lúcidas e ternas
De tua carne jovem e forte fui construído
Doaste-me a febre do ser, de humanidade reveste o teu útero.
Hoje a prata do poente e o ouro da gratidão te cobrem, Deográcia!

É INCURÁVEL O CORAÇÃO

Por que não jorram
Do coração alvoradas
Abrindo janelas e veredas
Neste ser convulso e inútil
Cofre de olvidos e dores?
Por que não irrompem manhãs
De suas terras noturnas
Abrindo porteiras e derrotando
As portentosas hostes do impuro
Que nele imperam em jorros escuros?

NÚPCIAS ESCURAS

É morto Adônis, choram amantes
E Vênus desesperada beija-lhe o rosto
Que o vasto sono conquistou
Vão por Adônis suspirando fontes
Púrpuras rosas por ele se tornam
E Vênus lamenta: ser imortal é minha pena
Não posso segui-lo às núpcias escuras
Aos templos da morte, onde sombra
Seria sempre sua amante.

O QUE É O CORAÇÃO

O que é o coração
Além de ser um órgão oco e muscular
Habitante da cave do tórax
E bebedor de sangue – esse vinho
Tinto e sonambulo que noite afora
Rege as sinfonias do corpo e nutre de imagens
Nossas fantasias imperdoáveis?
O que é o coração
Além de ser essa bomba vital
Maestro crucial que sob o ritmo cardíaco
Da sua batuta comanda a espécie
E a odisseia humanas?
Coração, casa velha, solitário caçador
Catre de emoção, pátio incansável
Turvo leopardo, andarilho rubro, arroio louco
Oásis súbito, desatinado amigo, imperfeito parceiro
Terra inútil, músculo vazio, noturna e covarde ficção
Cofre, nave, grito, quimera incurável
Guerra sem armistício, canção

POEMA SEM TÍTULO

Noites passam
Em minhas artérias claras
E em seus rubros meandros
Bebem madrugadas.

SEIOS

Seios são rijos
Deuses redondos
Para o culto
Alpino do lábio
São canções de carne
Que mordem a boca
E encantam
A alma da mão.

ECONÔMICA

Há vagas
Para máquinas.
Não há vagas
Para homens.

POÉTICA

O vinho da palavra
Chama-se metáfora.
Sua embriaguez
A poesia.

50 POEMAS ESCOLHIDOS PELO AUTOR – Poemas extraídos da obra 50 Poemas escolhidos pelo autor (Galo Branco, 2004), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui, aqui e aqui.


domingo, maio 13, 2018

XII ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA

XII ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA – Acontecerá entre os dias 7 e 10 de agosto, na Universidade Federal de Pernambuco, o XII Encontro Estadual de História, com o tema História e desafios do tempo presente. O evento traz a proposta de espaço privilegiado para debate sobre as questões historiográficas em diálogo com o cenário político e social da atualidade e contará com a oferta de minicursos, simpósios temáticos, mesas redondas e conferências. Veja mais aqui.

quinta-feira, maio 10, 2018

COLÓQUIO INTERNACIONAL MEMÓRIA E IDENTIDADE INSULAR

COLÓQUIO INTERNACIONAL MEMÓRIA E IDENTIDADE INSULAR – Acontecerá entre os dias23 e 26 de outubro de 2018, no Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA), Funchal, o Colóquio Internacional Memória e Identidade Insular: Religiosidade, Festividades e Turismo nos arquipélagos da Madeira e Açores. Mais detalhes aqui.


quarta-feira, maio 09, 2018

SEMANA ASCENSO FERREIRA

SEMANA ASCENSO FERREIRA – A Semana Ascenso Ferreira promovida em parceria realizada pela Biblioteca Fenelon Barreto, Academia Palmarense de Letras (APLE) e profº Ana Flávia Couto, teve início nesta terça-feira com a palestra Vida Ascensso, realizada pela escritora e professora Socorro Durán, da Academia Palmarense de Letras (APLE), com a presença de alunos das escolas, representantes da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho e sociedade em geral.



Nesta quarta-feira, dia 09/05, acontecerá a partir das 9:30hs, apresentação do documentário Ascenso, o poeta de Palmares, realizado pelo acadêmico Wesley Pereira e o professor Tadeu Batista, com reprise às 14horas. A partir das 19:30h, acontecerá o sarau poético promovido pela Academia Palmares de Letras (APLE).

Na quinta-feira, a partir das 9:30h, acontecerá a palestra Ascendo, vida e arte, ministrada pela profª Ana Flávia Couto e apresenta poétic0-musical do poeta, cantador e acadêmico Zé Ripe. A partir das 14hs, acontecerá a palestra Ascenso, poesia e arte, ministrada pelo poeta, artista plástico e acadêmico Paulo Profeta.



Na sexta-feira, a partir das 09hs, acontecerá o espaço Pintando Ascenso, com alunos da educação infantil da rede municipal. Veja mais aqui e aqui.


segunda-feira, maio 07, 2018

CONGRESSO NORTE NORDESTE DE PESQUISA E INOVAÇÃO (CONNEPI)

CONGRESSO NORTE NORDESTE DE PESQUISA E INOVAÇÃO (CONNEPI) – Até o dia 8 de julho estão abertas as inscrições para participação do XII Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (CONNEPI), com o tema “Os dez anos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica”, que acontecerá na cidade de Recife (PE), entre os dias 27 e 30 de novembro, organizado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) e pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE). Mais informações aqui.


CORAÇÃO DE AREIA, DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


AO CORAÇÃO, A ÚNICA
ESPERANÇA DOS HOMENS OCOS

Ao coração marinheiro de Neruda
Ao insondável coração de Borges
Ao dublinense coração de Joyce
Ao coração escocês dos Powell
Ao coração sem alarde de Eliot
Ao coração vivo de Vinicius
Ao coração guerreiro de Ezra
(que repousa numa baixela trácia)
Ao errante coração de Homero
Ao romano coração de Virgilio
Ao azul coração de Gagárin
Ao coração vermelho de Nazin Kimet
Ao coração pernambucano de Cabral
Ao coração gitano de Lorca
Ao tão grande coração de Drummond.
Este CORAÇÃO DE AREIA.

AO CORAÇÃO DOS CRÉDULOS

O rosa com que o crepúsculo colore
O rosto cansado das casas
Os lençóis rotos que são
A obscena prova do sono
A ferida que a intempérie cria
Na carne do monumento
A ruína do rosto e da pedra
Esse duro ofício do tempo
O pétreo uivo da areia
Que espanca a máscara da face
A lua árabe que ofegante
Se despe em cada oásis
Os rijos pajens de sedosa pele
A morte que nos desnuda e comove
Os bárbaros que o poeta alexandrino aguarda
As ébrias adegas do sono
Onde as fadigas dessedentas
Os rosados murmúrios do entardecer
Despertando a melancolia da pele
Esse velho coração tão crédulo
E cansado de ilusões.

POEMA NA MESA DO PÁTIO DE SÃO PEDRO

Amo o átimo de tempo que me habita
E o pórtico de espaço que me espanca
Pois de instante e sítio sou composto.
O infinito não me doma
Pois sua porta é efêmera
E sua carne ardilosa
Não me ilude a fome santa.
Odeio as normas do trânsito metafísico
E os umbrais do intestino filosófico.
Assaltam-me de cólera
As tachas do féretro
As rotas do Érebo e as tulhas
De quinquilharia fria
Do sétimo dia.
Despreza as montras do estomago e o acetileno
Que persegue Diógenes e obumbra o cenho.
Amo urnas senhas sonhos ditirambos.
Silvas de silêncio artes nuas salmos
Tanto quanto detesto torturas e escravos
Rejeito as taças amantes da cicuta
Aceno com apreço ao inferno
Acinzento das tavernas e pubs do espírito.
Acima de tudo amo o céu do Pátio
E a douda noute e atenta
Que abarca e me contempla.

SOMBRAS SOMOS

Vagueio entre os dias
Sou uma sombra de lâmpadas apunhalada
Uma ambulância de estrelas cegas
Um peregrino de ruas mortas.
Nada tenho deste mundo a não ser o sol
Que golpeia mármores e atravessa portas
Que salta lince sobre meus olhos e diz:
Abre teu canto, grita teu poema
Com a força dos esôfagos
E amplitude dos prados.
Guardo das noites aromas perdidos
E antigos orvalhos
E às manhãs tenras me dobro
Como uma haste de trigo.

SINFONIA E POMAR

Num pomar em Tibur
Um efebo olha o outono.
E a brisa manuseia sua túnica cínica.
Em seu olho adolescente late um breve crepúsculo.
E flautas frígias
Agudas como vozes de eunucos
São a ele oferecidas
Numa bandeja de longos búzios.

(CORAÇÃO, CORAÇÃO)

É uma ficção covarde
O coração
Frágil taça de emoção
Vaso de fecundo olvido
Terra inútil, músculo vazio.
(ao homem oco e aos desafinados
corações humanos).

FLORES DA URBE

Apodrecem as rosas e os ditirambos
Nas vias opressas as petúnias são atropeladas.
Os cravos se acasalam nas lapelas
Recentes dos defuntos e mordem
Suas faces frias como mármores.
O balsamo louco gargalha, as calêndulas
Comem os alfarrábios.
Magnólias desatinas se suicidam
Em plena praça no crivo
Das ruas côncavas.
As hortênsias violentam os emolumentos.
O baldo devora o nimbo.
Violeta é morta
Os nardos envenenam o duodeno
Jacintos vociferam nos conventos.
Nas longas madrugadas medram as bruscas flores da insônia.
Constelações de cactos apunhalam
O solitário hall dos edifícios
E coroam com tulipas de neon
Os sulcos sonâmbulos da taça.
Fedem as begônias.
O hímen da angélica agride
Os talos da árvore urbana.
Florescem as açucenas da cólera
No interstícios da náusea.
Nos jardins públicos pululam
Pirilampos mecânicos
Sem lume ou alma.
Nos céus da cidade voejam
Borboletas automáticas
Sem cor ou graça
E no peito da avenida vicejam
Andorinhas sem ventre.
Aves de metal bicam os olhos
Dos casulos de aço mudo.
Choram
Os abetos decapitados.
As orquídeas vomitam
O ouro dos vasos.
Acácias bêbadas atropelam
O peito dos magnatas.
As dálias de Baudelaire tombam
Nos becos amarelados.
Madressilvas sangram no olfato.
Jardins são decepados
Com a foice dos semáforos.
Agonizam artemísias
Nos canteiros centenários.
Avencas gritam
Nas varandas fatigadas.
Riem os cravos brancos
Na soleira dos velórios.
As coroas mortuárias se instalam
No rosto dos mortos importantes
E se locupletam de sua boca fria.
As papoulas opinam
Sobre os eneágonos do fumo
E denunciam a jade das hecatombes.
Nenúfares se acantonam
No amanhecer do sangue.
A dor esfaqueia os miosótis.
Na hera prospera a morte.
As grinaldas berram.
Selas de espinhos fendem
O coração dos nubentes.
Nas celas sem lua
As perpétuas sonham
Com utopias roxas.
Os lírios bebem escorpiões.
As samambaias famintas
Devoram as tarântulas do jasmim.
Rouxinóis imóveis fendem o silêncio
Das tundras metropolitanas.
Inóspitos sargaços nadam no logro
E se afogam no ódio das gardênias urbanas.
As lentas luzes das pétalas
Enlouquecem os girassóis
O pólen da cada hora emigra
Nos lívidos jardins da urbe
Para longe dos homens.

POEMA DE LINHO PARA LIGIA CELESTE
(Poema de linho para Lígia a artista que se foi no tempo em busca de paragens mais brancas)

No céu da tela, luas
De linho bordadas
Com mãos de domingo.
No horizonte cândido,
O sol de alvaiade
Expulso do pincel
E treliças de sal.
No dedo, tranças
De agave cor de neve
E nos dentes místicos do urdume
Orações de açúcar debulhadas
Da bíblia de alfenim.
No âmago, a noite de sisal
Alvejada pela face
Das líricas tempestades
De luz íntegra
(sem tremores de cor
ou abalos de grito)
no todo, a soma
das brandas álgebras
de mistério e alvorada.
Na paz aveludada,
O jogo de cola e elo
De marfim conformando a trégua
E o xadrez apaziguado das espumas.
Na nudez dos condões,
O fio da sina e axiomas do sim
Além da lição solar
Dos arabescos de giz.
Na saia, malhas de arroz metafísico
E cisnes amanhecendo
Nutrindo a candura
No ar alabastrino.
No olho, as tênues redes do tempo
Pescadas pela mão, tocaiando
As horas tresmalhadas
Tecidas na alma e contempladas
Dos alpendres de leite
De onde brotam
As brumas da trama
As alvas caatingas
Os labirintos urbanos.
Na carne alada,
Os gestos lépidos
Dos alinhavos no cetim
Logo flagrados.
Na retina, as cicatrizes falando
Aos habitantes dos alvos sulcos
Das cândidas paisagens
De lã e arame geradas
Da mão celeste com paixão precisa.
Na luz, a sombra láctea
O apuro dos domingos exatos
E o êxtase claro
Na tela marcado.
Na lenda, entretecidos
Aves nubentes
E puros equinócios de brim.
No coração, o branco assombro
A alfombra polar
E aves de linho sangrando
O oceano sem mácula
De Lígia Celeste.


CORAÇÃO DE AREIA - Poemas recolhidos da obra Coração de Areia (Fundarpe, 1994), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. A obra em referência foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Editorial da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco  (Fundarpe/Secretaria de Educação, Cultura e Esportes), publicada em convênio com a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE). Veja mais aqui, aqui e aqui.